terça-feira, 23 de outubro de 2012

Tres momentos de um cavalo louco



Quando John Lennon decretou que The Beatles eram mais populares do que Jesus Cristo, houve um assombro de indignação no mundo conservador. Apesar disso, ele estava certo. Se fosse considerar a popularidade dos Beatles no Japão e outros países asiáticos, na União Soviética, na África e no Oriente, os fans da banda de rock eram em número bem maior que que os cristãos que habitavam o mundo.  Depois, Lennon prosseguiu com suas provocações sutis e inteligentes,  constatando que "o sonho acabou". Referia-se, claro, ao imaginário hippie de construção de um novo mundo, baseado (opa!) no amor e na paz, contra a guerra e o ódio. Daí houve outro assombro de indignação, só que agora entre os cabeludos rebeldes e suas musas da contra cultura, que tinham acabado de realizar o festival de Woodstock nos EUA e, em vista do fenômeno que foi aquele encontro de paz e amor, achavam que o ídolo mais articulado do quarteto de Liverpool estava literalmente gagá e ultrapassado.   

Em seguida, os Estados Unidos recrudesceram a guerra contra os Vietcongues, vários golpes de estado seguiram-se ao da ditadura brasileira, acabando com a democracia em importantes partes do mundo, inclusive em países clássicos como a Grécia, nossa mãe da democracia; assim como em terras latinos-americanas como  Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Uruguai; em continentes como Ásia, África e Oriente.  Num intervalo de tres meses, morreram de overdose os ídolos da juventude revolucionária, Jimmy Hendrix e Janis Joplin. Pronto! O sonho tinha mesmo acabado e ainda tínhamos que ouvir as brincadeiras sem graça dos nossos obtusos adversários conservadores, "se o sonho acabou, então vamos comer bolos", gozavam tais tipos ignorantes, que só estavam interessados em nos desmoralizar, afim de se aproveitarem da liberdade sexual que nós havíamos arduamente conquistado, lutando nos campos da batalha moral contra o status quo então estabelecido. 

Quando chegaram os tempos de chumbo, precisávamos de um colo amigo, de alguém que cantasse suavemente aos nossos ouvidos, que nos embalasse na travessia do pesadelo. Muitos artistas se prontificaram a esse papel. Um deles foi Neil Young, um caipira que veio do Canadá para tocar guitarra na Califórnia. Inicialmente entrou na lendária banda The Buffalo Springfield, mas, acabou fazendo outra carreira paralela, cantando suas doces canções que falavam de amor simples e de solidariedade, da sua busca por um coração de ouro, que propositalmente confundia com a expressão "heart of gold", filão de ouro, o ideal dos velhos colonos que iam ao velho oeste em busca de fortuna fácil. Esta canção foi o maior sucesso country na primeira metade da década de 1970. E olhe que ela não tem qualquer apelo comercial. É apenas o sonho de um rapaz norte americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior, um Belchior canadense, para ficar mais claro, ora bolas...!!! Ele ganhava seu pouco dinheiro cantando improvisadamente em bares e acampamentos hippies, ao longo da costa do Pacífico norte americano.

















Depois, quando entraram os anos noventa, fundou o estilo "grunge", sofisticando o velho rock and roll. Antes de meter uma bala na cabeça, Kurt Kobain, o líder da banda Nirvana, deixou um bilhete com os versos do refrão da canção onde Neil lançava o novo estilo: "Hey Hey, Hi Hi / Rock and Roll wil never die --- Hi, Hi, Hey, Hey / Rock and Roll is still the same". Para a terefa de reinventar o Rock, Neil Young foi ao submundo de Los Angeles buscar dois mexicanos perdidos nas drogas. Juntou a eles dois canadenses bem comportados, os internou a todos numa casa num costão do Pacífico e ficou meses experimentando o novo estilo. Não sei se usavam drogas nesse confinamento, mas, criaram obras primas.  Já aclamados pela crítica, a banda Crazy Horse produziu um clipe dirigido por ninguém menos que o cineasta Jim Jarmush, o grande revolucionário do cinema alternativo norte americano. 





Hoje setentão, Neil Young baixou um pouco a bola, depois que passou por uma cirurgia para remover um tumor alojado junto ao cérebro. Mas, continua fazendo chover. Seu encontro anual com os amigos Crosby, Stills e Nash, é sempre um acontecimento nacional na América do Norte, especialmente por que celebra 40 anos de militância anti guerra e pelo desenvolvimento social, batalhas nas quais os quatro amigos sempre estiveram envolvidos. 








Além do envolvimento nos movimentos pacifistas, ele sempre comparece a homenagens que lhe são prestadas pelo mundo afora (menos no Brasil, evidentemente, por que aqui tudo chega com pelo menos dez anos de atraso), como nesta ocasião em que foi atuar num festival de verão na Inglaterra, ao lado de  "sir" McCartney e alguns remanescentes de bandas famosas, como o Pink Froyd, ocasião em que cantou um clássico de Lennon. Precisa de muita coragem para tal. Mas, ele não se saiu mal ...





quinta-feira, 18 de outubro de 2012

CANTANDO POR CONTA PRÓPRIA

Igreja de São Benedito, da Arquidiocese de Floripa, apóia o Coro Lírico Catarinense, 
cedendo o espaço para os ensaios, 
que antes se realizavam em espaço público, o Centro Integrado de Cultura.  

O Brasil já foi um país bem mais musical.  Não que tenha deixado de sê-lo, afinal, agora nós temos um verdadeiro mercado interno, a tal classe "C", consumidora voraz que tudo compra e a tudo quer ter acesso. Nada mais natural que tenhamos uma categoria artística muito mais rica que as anteriores, tanto financeira quanto qualitativamente, graças ao capital investidor e às novas tecnologias de gravação e distribuição. Até mesmo a música caipira, antes tão discriminada, hoje vende milhões de discos, excursionando de avião próprio, com suas bandas próprias, dezenas de técnicos e músicos. Em seu tempo, os "Tonicos e Tinocos" de antigamente viajavam de ônibus e tocavam em auditórios de rádios. 

No campo da música artística de alto nível, temos gênios como Arrigo Barnabé, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e tantos outros desconhecidos do grande público, que vivem de sua própria música. E não consta que estejam passando dificuldades, ao contrário de seus pares do passado, que morriam de fome e das doenças da miséria. Músicos eruditos também estão em boa fase, como o demonstra nosso querido Arthur Moreira Lima, pianista que mora em pleno Costão do Santinho e frequenta os melhores points de Floripa e do Brasil, como bem merece este grande personagem de nossa música, que alguns dizem maldosamente também representar a linha etilizada, além do elitizado, papéis que, aliás, ele desempenha muito bem.

Quanto a essa questão mercadológica, o Brasil vai muito bem. Quando digo que o país já foi bem mais musical, lembro-me de Villa-Lobos e seu livro didático "Canto Orfeônico", que orientava a disciplina musical ensinada nas escolas primárias e secundárias do país. Lembro-me de nosso compatriota maestro Edino Krueger, de Brusque,  como então secretário do MEC, espalhando corais e partituras pelo país afora. Eu mesmo tive maravilhosos professores de música, matéria obrigatória nos  primeiros anos escolares. Enfim, dos anos sessenta para trás a música era realmente popular, e não apenas um fenômeno de marqueting. Toda escola, sindicato, clube, empresa, até famílias, tinham seu coral. 

Então, veio a “redentora” com seus militares, que só gostavam de marchas. Não as de carnaval, maravilhosas, mas aquelas tocadas nos quartéis. Daí que resolveram trocar o Canto Orfeônico por outra disciplina, mais de acordo com os novos tempos: “Educação Moral e Cívica”. Três falácias numa só, pois aquilo nunca foi "educação", de "civismo" não tinha nada e nossa governamental ética "moral" ficou cada dia mais na lama, digo, no chumbo. Foi uma péssima troca.

Depois dos militares, Fernando Collor se encarregou de jogar a pá de cal no caixão da cultura popular musical do país. 

Hoje, governos de todos os naipes adoram reformar e construir teatros. Minha ingenuidade não me permite perscrutar as razões por que o fazem, uma vez que tais palcos vivem fechados.  Vendo que era necessário ocupá-los minimamente, inventaram complicadas leis de incentivo à cultura, que são espertamente apropriadas por políticos e grupos de empresários, especializados não em música, mas, em negócios. Ao invés de incentivarem grupos artísticos locais, trazem artistas prontos da televisão nacional e faturam duplamente: o dinheiro do governo e dos bolsos das plateias imbecilizadas pela telinha na novela das nove.  Os grupos locais que se julguem com algum talento, e queiram se expressar ao público apreciador de arte, que tirem a grana dos próprios bolsos, ora bolas!


Foi o que fizeram o Coro Lírico Catarinense e a Orquestra Piu Mosso. O Brasil já foi um país bem mais musical.  Não que tenha deixado de sê-lo, afinal, agora nós temos um verdadeiro mercado interno, a tal classe "C", consumidora voraz que tudo compra e a tudo quer ter acesso. Nada mais natural que tenhamos uma categoria artística muito mais rica que as anteriores, tanto financeira quanto qualitativamente, graças ao capital investidor e às novas tecnologias de gravação e distribuição. Até mesmo a música caipira, antes tão discriminada, hoje vende milhões de discos, excursionando de avião próprio, com suas bandas próprias, dezenas de técnicos e músicos. Em seu tempo, os "Tonicos e Tinocos" de antigamente viajavam de ônibus e tocavam em auditórios de rádios. 

No campo da música artística de alto nível, temos gênios como Arrigo Barnabé, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e tantos outros desconhecidos do grande público, que vivem de sua própria música. E não consta que estejam passando dificuldades, ao contrário de seus pares do passado, que morriam de fome e das doenças da miséria. Músicos eruditos também estão em boa fase, como o demonstra nosso querido Arthur Moreira Lima, pianista que mora em pleno Costão do Santinho e frequenta os melhores points de Floripa e do Brasil, como bem merece este grande personagem de nossa música, que alguns dizem maldosamente também representar a linha etilizada, além do elitizado, papéis que, aliás, ele desempenha muito bem.

Quanto a essa questão mercadológica, o Brasil vai muito bem. Quando digo que o país já foi bem mais musical, lembro-me de Villa-Lobos e seu livro didático "Canto Orfeônico", que orientava a disciplina musical ensinada nas escolas primárias e secundárias do país. Lembro-me de nosso compatriota maestro Edino Krueger, de Brusque,  como então secretário do MEC, espalhando corais e partituras pelo país afora. Eu mesmo tive maravilhosos professores de música, matéria obrigatória nos  primeiros anos escolares. Enfim, dos anos sessenta para trás a música era realmente popular, e não apenas um fenômeno de marqueting. Toda escola, sindicato, clube, empresa, até famílias, tinham seu coral. 

Então, veio a “redentora” com seus militares, que só gostavam de marchas. Não as de carnaval, maravilhosas, mas aquelas tocadas nos quartéis. Daí que resolveram trocar o Canto Orfeônico por outra disciplina, mais de acordo com os novos tempos: “Educação Moral e Cívica”. Três falácias numa só, pois aquilo nunca foi "educação", de "civismo" não tinha nada e nossa governamental ética "moral" ficou cada dia mais na lama, digo, no chumbo. Foi uma péssima troca.

Depois dos militares, Fernando Collor se encarregou de jogar a pá de cal no caixão da cultura popular musical do país. 

Hoje, governos de todos os naipes adoram reformar e construir teatros. Minha ingenuidade não me permite perscrutar as razões por que o fazem, uma vez que tais palcos vivem fechados.  Vendo que era necessário ocupá-los minimamente, inventaram complicadas leis de incentivo à cultura, que são espertamente apropriadas por políticos e grupos de empresários, especializados não em música, mas, em negócios. Ao invés de incentivarem grupos artísticos locais, trazem artistas prontos da televisão nacional e faturam duplamente: o dinheiro do governo e dos bolsos das plateias imbecilizadas pela telinha na novela das nove.  Os grupos locais que se julguem com algum talento, e queiram se expressar ao público apreciador de arte, que tirem a grana dos próprios bolsos, ora bolas!

Foi o que fizeram o Coro Lírico Catarinense e a Orquestra Piu Mosso.





O Coro Lírico Catarinense e a Orquestra Piu Mosso se apresentaram no Teatro Álvaro de Carvalho. 



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ligações Perigosas, tenebrosas transações.

O ministro do STF, Joaquim Barbosa, está bombando na mídia e na Internet. Não faltam admiradores e fans, propondo inclusive sua candidatura a Presidente da República, acima dos partidos. É o novo "messias", tal como Lula já foi um dia. 

Messias é um tema perigoso. Uns, como os judeus, ainda esperam o seu. Outros, como os cristãos, celebram a morte do seu, que foi o judeu Jesus Cristo, episódio visto como o acontecimento crucial da humanidade, que resultou na civilização ocidental, construída a partir das cinzas do império romano. 

Messias é aquele que vem para salvar. Neste sentido, a presença de um tal culto a um homem só é extremamente perigoso. Hitler foi um deles, só para citar o pior de todos. Não estou dizendo que o Joaquim Barbosa será um Hitler, nem mesmo que Barbosa vai aceitar o papel de salvador da pátria. Apenas constato este momento histórico, em que as lideranças populares estão mais sujas que pau de galinheiro, daí o sucesso da presença de um causídico negro na suprema corte, condenando "mal feitos" de gente ainda muito poderosa.

Agora mesmo, Joaquim Barbosa profere mais uma de suas frases demolidoras: " Há lavagem de dinheiro porque, ao invés de fazer como todas as empresas do país, que é receber dinheiro na empresa, ele (Duda Mendonça) recebeu o dinheiro através de uma offshore. A empresa tem outro nome, não é Duda Mendonça, é Dusserdolf Company. Isso não é lavagem de dinheiro? Não é ocultar?".     Foi o único ministro a condenar o marqueteiro Duda Mendonça. Todos os demais ministros o absolveram. 

O caso é que Duda Mendonça fez a campanha vitoriosa de Lula em 2002 e ainda não tinha recebido o valor total combinado. Faltavam 10 milhões de reais. Então, os encarregados das contas do PT lhe propuseram que abrisse uma conta bancária num paraíso fiscal, para onde mandariam o dinheiro. Se fosse dinheiro limpo, não precisaria nada disso, certo? Um a zero para o Joaquim Barbosa. Se é assim, por que os demais ministros do STF o absolveram, depois de terem condenado próceres como José Dirceu e José Genuíno? Há algo de estranho no ar .... tchan tchan tchan tchan!!!!

Os analistas da grande mídia começam a especular coisas. Uma delas é que, agora que foi inocentado, Duda Mendonça pode voltar tranquilamente ao mercado de marketing eleitoreiro. O comentarista Kennedy de Alencar, na CBN, informou que o governador de Pernambuco já faz contatos para contratá-lo para a próxima campanha presidencial, que ele jura de pés juntos que não haverá, por que vai apoiar a reeleição de Dilma. Lula já está fora, não só pelo escândalo do qual foi o chefe real, embora escondido, mas, principalmente pelo estado de saúde declinante. Se, por acaso, Dilma não se mostrar eleitoralmente viável em 2014, quem seria o titular a defender a meta governista? Quem apostar em Eduardo Campos tem grande chance de sair ganhando.  

O fato é que Duda Mendonça é muito competente no trabalho de engambelar o prezado cidadão público-eleitor ouvinte e telespectador. Cria fantasias virtuais que se transformam em imagens de uma realidade passada como real. Ele não é chulo como esses marqueteiros aqui de Floripa, que deixam evidente sua intenção de nos tratar como idiotas, como o comercial do Gean que tenta nos convencer de que nós, que não votamos no Cézar no primeiro turno, temos agora como única alternativa o voto no pimpolho da elite, rouco e de olho azul. Mais ainda, diz na cara dura que ele vai representar todas as "propostas" colocadas pelos candidatos do PCdoB-PT, PSOL e um tal Pátria Livre.  Não, esses não servem de parâmetro para comparar com o bruxo lulista! Duda Mendonça produziu um novo Lula, enterrando o fantasma do sapo barbudo e criando o príncipe operário. Com ele, Lula aprendeu a fazer campanha política, por que política propriamente dita ele já sabia fazer muito bem, mas, enfrentou o poder da mídia, com a Globo manipulando escandalosamente o debate que se deu na campanha final de 1989, entre Lula e Collor. Ali, Lula foi derrotado pela esperteza da estratégia demolidora de Collor, que já havia apresentado uma senhora que dizia ser a ex-mulher de Lula, mãe de sua filha Lurian, a qual teria sido pressionada por Lula para abortar a criança. Foi um estrondo nas classes conservadoras e religiosas. Fora isso, Collor olhava insistentemente para uma pasta sobre a mesa, que o disse-me-disse espalhava sutilmente conter dossiê sobre o caso de Lula, então já casado, com uma jornalista de Brasília, no tempo que foi deputado federal. Não deu outra: Lula amarelou. E perdeu o debate e a eleição.



Com Duda Mendonça, Lula aprendeu a manipular a emoção das pessoas simples a seu favor, como no último debate da campanha de 2002,  quando contou um episódio que teria passado num estado do nordeste, onde uma mãe lhe procurou pedindo ajuda para uma criança que levava ao colo. Disse ele que, quando descobriu o lençol que protegia a criança da luz solar,  viu que ela estava morta. Não importa se depois desse debate, ele, Duda, Dirceu e outros poucos membros da "diretoria" foram jantar num restaurante de luxo no Leblon, onde brindaram com um vinho Borgonha de 7 mil reais a garrafa. Provavelmente, naquela altura, o caixa dois já estava abarrotado.

Seria mesmo um ótimo marqueteiro para o Eduardo Campos. Mas, para isso, não pode ser condenado no STF pelo dinheiro que le(a)vou do Mensalão.