sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Como pedra a rolar


Bob Dylan lança sua canção Jokerman nos EUA em 1984. 
Denuncia nela um ídolo com pés de barro, personagem atribuído a Ronald Reagan.



Meus dois maiores ídolos da adolescência são judeus. O que isso quer dizer? Não é nada, não é nada, não é nada, mesmo!  Mas, aos quatorze anos de idade o projeto de gente que eu era, não encontrava muito prazer na própria casa ou no bairro onde morava. Veja que os tempos eram outros, não havia internet, não havia televisão, só o bruto barro vermelho da periferia de Maringá, pobre como a própria vida. Sequer sabia que perto de mim floresciam personalidades brilhantes como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, nada disso.  Meu mundo era circunscrito às rodas da bicicleta que me levavam de um lado a outro da cidade, uns 30 quilômetros por dia, a recolher documentos e entregar mensagens aos pequenos negócios clientes do escritório de contabilidade onde eu servia como Office-boy, palavra que naqueles tempos nós desconhecíamos, de modo que eu era mesmo “contínuo”. Até hoje não sei o que isso significa, mas, o que eu fazia naqueles tempos temerários era mais agradável do que o futuro grandioso que tive,  porquanto atuei como analista de sistemas e consultor de planejamento estratégico em grandes corporações. Nada jamais substituiu o prazer de parar num bar de estrada, sorver um guaraná gelado acompanhado de um bom pastel de palmito!




Jorge Mautner permanece atual e irreverente, um espírito adolescente aos setenta anos de idade.


O que isso tem a ver com judeus? Nada, exceto que meu único interesse era freqüentar a biblioteca pública, onde tomei conhecimento por acaso de um sujeito chamado Jorge Mautner, que havia escrito um livro chamado “Kaos, com “k””. Ali este cantor-compositor hoje famoso e setentão, descrevia  a revolta juvenil e filosofava sobre o sentido da vida. Enquanto eu me ocupava as noites lendo essas coisas, fiz amizade com a bibliotecária, uma senhora “velha” e aparentemente sozinha, nos seus talvez quarenta e poucos anos. Ela se interessou em saber por que aquilo me apaixonava e passamos muitas horas conversando sobre o existir, a vida que levávamos naquela cidade desprovida de outras atrações, antes que eu me ligasse no movimento mais pesado e perigoso do rock and roll e suas conseqüências paralelas, incluindo as garotinhas que iam atrás dos guitarristas, enquanto eu ia atrás delas, dentro do movimento infinito da vida.  Perdi a moça triste da biblioteca quando me mudei para Curitiba, mas, que casamento perfeito teria sido, não fosse a nossa inconciliável diferença de idades! Que fazer? Foi ela quem me falou do segundo judeu mais influente em minha formação cultural: Mister Robert Zimmernann.


"Como pedra a rolar" foi feita num momento de fúria, por ter sido abandonado pela namorada. 
Algo assim, tão trivial, transformou-se num hino juvenil que virou mega sucesso. 
Não tem nada a ver com a banda inglesa The Rolling Stones, como muita gente se confunde.

Bob Dylan também cresceu numa comunidade pequena e fechada, muito pior que Maringá, por que, além do frio glacial da fronteira canadense e das perspectivas diminutas do ambiente exclusivista judeu, não tinha nem um pouco da “poesia de todos os ninhos”,  o meu espantoso trecho da Mata Atlântica, conforme atestava o Hino de Maringá, que “adivinha a floresta de outrora, que embalou sua vida criança”.   “Há em ti o perfume das flores”, (haaa, desculpem pela displicência mental),  na verdade, falávamos da influência de alguns judeus sobre minha vida. Ao que eu saiba, nenhuma, pois, os dois influentes intelectuais, a primeira coisa que fizeram foi justamente negar a herança judaica. Dylan até se tornou cristão num curto período, por que, convenhamos, sair de uma armadilha para entrar em outra já é karma demais, não é mesmo?

Logo percebi que o estilo de Zimmermann, o Bob Dylan, não era diferente de Mautner, Vi também que existia um movimento planetário identificado com o significado da palavra “mudança”, e tornei-me imediatamente um mudancista. Passei a renegar todas as instituições da sociedade burguesa, desde casamento, ao qual prometi nunca me submeter, até famílias de qualquer tipo, forças armadas e justiça. Faltou pouco para eu cair na clandestinidade da luta armada naqueles anos de chumbo. Pura rebeldia juvenil compreensível aos 17 anos de idade!

Mas, ficou Bob Dylan e Jorge Mautner, como fica sempre uma pedra no sapato. Cada vez que eu me desviava para um patamar social acima, seja pela ascendência profissional natural, fosse pelo meu próprio talento de líder, orador de grandes multidões, escritor interessante fora da linha burocrata, lá vinha o Bob Dylan sussurrar no meu ouvido os versos do “mister tambourine man”.  




Um dos mais belos poemas musicados de todos os tempos. 

Dylan foi fundo na alma norte americana e compôs vários countries em sua longa carreira. São músicas de cow-boys, que ele pesquisou intensamente durante anos. Ele foi um craque na execução do estilo Chautauquia, que significa o cantar de peregrinos que andam pelas estradas da América do Norte, compondo poemas e contando causos através da música, em longas histórias sobre acontecimentos sem importância, porém representativos da cultura caipira dos Estados Unidos. Um de seus melhores momentos foi a criação do álbum "Sangue nas trilhas", de 1975.  Desse álbum, Dylan nunca permitiu o relançamento ou postagem daquelas músicas em qualquer mídia social. O disco em vinil, única edição lançada, está esgotado. Eu tinha uma cópia, mas alguém a levou. Espero que tenha feito bom proveito! Uma canção se destacou, como se fosse um longo filme, contando uma aventura do cotidiano do "far west". Devido a sua longa duração e complexidade dramática, está praticamente esquecida da obra do cantor, sendo muito pouco referenciada, mesmo entre os especialistas. Chama-se "Lily, Rosemary and The Jack of Hearts". No baralho, Jack of Hearts é o apelido da carta Valete de Copas.




O festival de verão já tinha terminado
Os rapazes já estavam planejando o outono

O cabaré estava silencioso
Exceto por uma perfuração na parede
A placa "fechado" era exibida na porta
E a roda de apostas guardada
Qualquer um com um pouco de senso
Já teria deixado a cidade
Ele, porém, estava de pé perto da porta
Parecia-se com a figura da carta Valete de Copas

Ele se moveu atravessando a sala espelhada
"Apronte tudo para todos", ele disse
Então todos começaram a fazer
O que faziam antes
Enquanto estavam em temporada
Ele se aproximou de um estranho
E lhe perguntou com um sorriso
"Você teria a bondade de me dizer, amigo,
A que horas começa o show?"
Então ele se posicionou em um canto
Rosto para baixo, como o Valete de Copas

Nos bastidores as meninas jogavam cartas
Perto da escada, Lily tinha duas rainhas
Ela torcia por uma terceira para compor a trinca
Lá fora as ruas se enchiam de gente
A janela estava toda aberta
Uma brisa gentil soprava
Você podia senti-la, lá de dentro
Lilly apostou novamente
E puxou o Valete de Copas

Big Jim não era tolo nem inocente
Era dono da única mina de diamantes da região

Ele fez sua entrada habitual
Todo emperiquitado e bonito
Com seus guarda-costas e bengala de prata
E cada fio de cabelo no lugar
Ele bebia o que queria, sem perguntar o preço
E esbanjava seu dinheiro à vontade
Mas ele e sua  bengala de prata

Não eram páreos para o Valete de Copas

Rosemary arrumou seus cabelos
E pegou uma carona até a cidade
Ela entrou pela porta lateral
Mais parecendo uma rainha sem coroa
Ela batia seus cílios postiços
E sussurrou no ouvido de Big Gim:
"Desculpe querido, estou atrasada?"
Mas ele não pareceu ouvir
Tinha o olhar como perdido no espaço
Mirando fixamente o Valete de Copas

"Eu sei que já vi este rosto antes"
Big Jim pensava consigo mesmo 
"Talvez tenha sido no México,
ou em um retrato na prateleira de alguém"
Mas então o povo começou a bater o pé
E as luzes da casa abaixaram
E na escuridão da sala
Havia apenas Big Jim e o Valete de Copas
Encarando a borboleta da sorte, que girava
E acabava de mostrar um Jack of Hearts

Lily era bela como uma princesa
Tinha pele alva e preciosa como uma criança
Ela sempre fez o que achava que precisava fazer
Havia um certo brilho a cada vez que sorria
Ela veio de longe, de uma família destruída

Teve vários casos esquisitos
Com toda espécie de homens
Que a levaram para todos os lugares
Mas ela nunca havia encontrado ninguém
Assim parecido com  o Valete de Copas

O juiz enforcador entrou desapercebido
E estava sendo servido de vinho e janta
A perfuração na parede continuava
Mas ninguém parecia dar muita atenção
Era fato público, sabido por todos
Que Rosemary era noiva de Big Jim
E nada nem ninguém jamais interferiria
No relacionamento dela com o rei da noite
Não, ninguém nem nada interfeririam
Exceto talvez o Valete de Copas

Rosemary estava bebendo muito
E olhando seu reflexo em uma faca
Ela estava precisando de atenção
Cansada de fazer o papel de esposa de Big Jim
Ela tinha feito muitas coisas ruins
Até certa vez tentou o suicídio
Estava completamente em crise e queria fazer 
Alguma coisa boa antes de morrer
Ela estava olhando para o futuro
Cavalgando em sonhos no Valete de Copas

Lily lavou o rosto
Tirou o seu vestido e o deixou de lado
"Será que minha sorte se esgotou?"
"Bem, suponho que você deveria saber
Que acabaria algum dia."
"Cuidado para não tocar na parede
Há uma nova demão de tinta
Fico feliz em ver que continuas vivo
Você mais parece um santo."
Descendo o longo e estreito corredor
Pegadas marcadas atrás do Valete de Copas

Nos bastidores o gerente se preocupava
Andando nervoso ao redor da cadeira
"Há algo estranho acontecendo", ele diz
"Eu simplesmente posso senti-lo no ar"
E foi falar com o juiz enforcador
Mas, o juiz enforcador estava bêbado
Enquanto o ator principal da cena
Se apressava com sua roupa de monge
Não havia em lugar nenhum algum ator
Melhor do que o Valete de Copas

Os braços de Lily se fechavam em torno
Do homem que ela tanto tinha gostado 

Ela se esqueceu completamente do marido
Já não mais o suportava 
"Sinto tanta falta de um homem como você !" ela disse
E o Valete de Copas viu que ela estava sendo sincera
Mas, além da porta
Ele sentiu o ciúme e o medo do outro
Apenas mais uma noite
Na vida do Valete de Copas

Ninguém sabe como foram as circunstâncias
Pois, como dizem, tudo aconteceu bem rápido
A porta para o vestiário abriu-se repentinamente
E um revólver frio foi engatilhado
Big Jim estava ali, de pé 
Não se pode dizer que houve surpresa
Rosemary estava ao seu lado
Aparentando firmeza no seu olhar
Sim, ela estava ao lado de Big Jim
Mas seu olhar procurava o do Valete de Copas

Duas portas depois
Os rapazes finalmente passaram pela parede
E limparam o cofre do banco
Dizem que levaram um bom bocado
Na escuridão ao lado do rio
Eles aguardavam no terreno
Por mais um membro da gang
Que tinha negócios a tratar na cidade
De modo que eles não podiam ir além
Sem o Valete de Copas

No dia seguinte era dia de enforcamento
O céu estava nublado e negro
Big Jim foi estendido e encoberto
Morto por uma facada nas costas
E Rosemary na forca
Ela sequer piscou
O juiz enforcador estava sóbrio
Ele não tocou em uma gota de álcool
A única pessoa faltando na cena
Era o Valete de Copas

O cabaré estava vazio agora
Uma placa dizia, "Fechado para reparos"
Lily já havia tirado
Toda a tinta de seu cabelo
Ela estava pensando em seu pai
Que ela muito raramente tinha visto
Pensando também em Rosemary
E refletindo sobre a lei dos homens
Mas, principalmente,
Ela estava pensando no Valete de Copas

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nosso Coral em Conservatória

Inaugurada em 1884, foi construída por escravos para transporte ferroviário de café.
Era ponto de assalto aos mascates libaneses que cruzavam a região com suas mercadorias.
Diz a lenda popular que nas noites de lua cheia, é possível ouvir os gritos dos escravos e mascates mortos.
A ponte é mal assombrada. O último trem passou em 1963


--- Olha só, merrrrmão, até os quarentinha eu fui motorista de táxi no Rio de Janeiro. Cada vez que saia para o trabalho, beijava mulher e filho,  fazia uma reza pra São Jorge e outra para meu orixá, por que não sabia se voltava ou não. Vivia em extresse total, já nem trabalhava de noite. Aqui em Conservatória, durmo de casa aberta, sou amigo de todo mundo, ganho o dobro, ainda comprei minha casinha com a grana da venda da licença do táxi carioca: 140 paus. Paguei 4 paus aqui, mais 28 mil pelo carro. Percebeu a diferença?

Sim, eu havia percebido. Também tinha notado que sua nova companheira era gordinha, como ele. Devem passar bem, mesa farta. Só naquele sábado, faturou comigo 90 paus num passeio de manhã à Serra da Beleza, que, afinal, estava com neblina e não vimos nada, mais 130 paus na visita a uma típica fazenda de café do século XVIII, ainda ativa. Além disso, fez incontáveis viagens da Pousada d'Amora, onde estávamos, localizada numa elevação braba, até o centro da cidade, levando ou trazendo os velhinhos do coral, pois todos queríamos passear, ouvir serestas, chorinhos e beber muita cerveja, por suposto. 


Conservatória é uma pequena cidade a 150 quilômetros da capital, Rio de Janeiro. Está a meio caminho entre Petrópolis e Volta Redonda, num roteiro pouco conhecido pelo restante do país. Sua população é basicamente formada de exilados urbanos da metrópole, cansados dos assaltos, da barbárie e da barulheira. Na maior parte já retirados, na terceira idade, ou sujeitos em idade madura como o taxista Leonardo, um filho de 28 anos que está vindo morar com ele em Conservatória,  e uma filha ainda garotinha, produto de sua segunda relação matrimonial. Poucos jovens na cidade, mas, os poucos que ficam não reclamam de letargia. A vida é animada, com as tradicionais rodas de samba e serestas, a especialidade da aldeia, além da típica cultura caipira, mistura de paulistas caboclos e sertanejos mineiros. Não fosse pelo sotaque inconfundível dos cariocas, poderíamos jurar que estamos no interior de Minas Gerais, com sua vida mansa e pacata, fogões a lenha preparando as mais deslumbrantes maravilhas da cozinha brasileira. Herança dos tempos das grandes fazendas coloniais, as primeiras a produzirem café para exportação, ainda no primeiro reinado, que sobreviveram no fausto e riqueza até que a mão de obra escrava foi liberta pelo ato impensado da Princesa Isabel. Os coronéis e capitães mata-gente não sabiam trabalhar sem escravos. Não estavam acostumados a contratar assalariados, como os imigrantes italianos que expandiam a cafeicultura pelo interior de São Paulo.

O "Túnel que Chora" também foi construído por escravos


A partir de 1900, as fazendas da serra fluminense da região de Valença entraram em decadência. As poucas que sobreviveram, mudaram a atividade para a criação de gado, por que plantar e colher café em morro não é mole! Algumas ainda aceitam visitantes, em grupos de até 100 turistas, para mostrar seus segredos centenários, suas casas grandes com dezenas de quartos e salas de todo tipo, algumas preparadas para receber até o Imperador,  ver as instalações destinadas aos forasteiros menos nobres, mascates e negociantes, e banheiros internos sem água corrente (arre!). Existem até capelas internas homenageando os santos padroeiros da propriedade, guarnecidas com todos os paramentos e equipamentos de uma igreja, onde se batizaram gerações de coroneizinhos e futuras madames. Pode-se ver também as áreas íntimas destinadas à família, de onde as mulheres pouco saiam.  Mas, todos apreciamos mesmo foram as cozinhas, onde se come do bem bom e se bebe cachaça feita ali mesmo. 





Típica casa grande de uma antiga fazenda de café















A tradicional serenata é realizada nas noites de sexta-feira e sábado. Os músicos e cantores se encontram no Museu do Seresteiro e seguem noite adentro, juntos ou separados, parando de bar em bar ou nas esquinas mais badaladas. No final de semana que ficamos aqui, a cidade estava lotada, com os milhares de cantores que participavam do Festival de Corais, já em sua nona edição. Éramos o único coro catarinense no festival e certamente estávamos entre os maiores e, dizem, os melhores. Fizemos realmente um sucesso extraordinário, nós do Vozes de Santa Catarina,  reunindo perto de 70 cantores das agremiações regidas pelo maestro Robson Medeiros Vicente.

 Vozes de Santa Catarina fez grande sucesso ao se apresentar na igreja matriz


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Amavolovolo, um mantra Zulu
Premonição de nosso maestro sobre o que sucederia em seguida com Nelson Mandela?

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Torneró, grande sucesso popular da música italiana
Robson e Jardel arrasam. Tiveram que cantar isso mais duas vezes depois, na serenata.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Nosso coral na Basílica de Aparecida

O Coral de Santa Catarina brilhou cantando a missa na Basílica

Fazemos parte dos corais regidos pelo maestro Robson Medeiros Vicente, concentrados principalmente na grande Florianópolis. São mais ou menos 400 cantores, dos quais uns 70 aderiram a um projeto extraordinário: cantar no festival nacional de corais da cidade de Conservatória, na serra Fluminense, a meio caminho entre Petrópolis e Volta Redonda. Na tourné, duas paradas obrigatórias a todo bom católico, como são pelo menos 90% dos cantores desse grupo:
1ª)  cantar uma missa na Basílica de Aparecida (SP).
2ª)  visitar o Mosteiro dos Franciscanos de Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP). 



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Na primeira vez que visitei a Basílica de Aparecida, a padroeira do Brasil, eu ainda estava sob a influência do marxismo e achava que a religião cumpria exatamente o papel que o ilustre alemão lhe reservava: "o ópio do povo". Via os padres católicos com os olhos do preconceito e os imaginava em conluio com as supostas fortunas ancestrais do Vaticano, recolhidas de sua associação com os reinados mais devassos e cruéis da idade média, da exploração dos novos mundos pelas potências coloniais católicas, bem como da luta de classes que animava a história humana desde que Roma declarou o cristianismo como sua crença oficial, como forma estratégica de prolongar a existência do império por mais alguns séculos, o que de fato se sucedeu na realidade. 

Eu colocava a religiosidade popular como exploradora da boa fé dos pobres ignorantes. Até que cheguei perto de um grupo de romeiros de Minas Gerais, que se preparavam para cruzar a passarela imensa que liga a Basílica ao centro alto da cidade de Aparecida naquele distante 1980 e poucos. Na frente vinham alguns tocadores de viola e cantores sertanejos, entoando suas canções religiosas. A emoção daquele povo simples me transformou. Fiquei completamente tomado pela força daquela fé. Quando entrei para visitar as salas de devoção,  especialmente a Sala das Velas, a única coisa que conseguia articular eram os versos da canção "Romaria", de Renato Teixeira, que eu mentalmente entoava entre as lágrimas da emoção de estar sentindo pela primeira vez na vida uma experiência mística. Ali, já não me importava se os padres eram arrogantes com o povo, se a cidade era feia e desalinhada, se os estabelecimentos de hospedagem e alimentação cobravam o seu peso em ouro, se a decoração era brega ou seja lá o que fosse. A mim, só me importava viver aquela emoção pura e verdadeira do choro contemplatório. Era como a conversão de São Paulo, cegado por uma Luz inexplicável que apareceu no seu caminho.



Agora, nosso coral adentra às instalações da portentosa basílica de Aparecida e o encantamento já me domina logo na visão do grande templo. Eu, que já fui nos principais centros do mundo católico, Fátima em Portugal, Santiago de Compostela na Galícia, Nossa Senhora do Pilar em Saragoza, El Escorial perto de Madrid, Bom Jesus de Matozinhos no Porto, Notre Dame de Paris, eu que vi os vitrais sagrados de Nantes e Reims, que subi as escadas da Penha e visitei as históricas igrejas barrocas, que participei dos 200 anos da aparição de Nossa Senhora em Lourdes, entre tantas atividades místicas do cristianismo, com todo um background de vivências religiosas, em nenhuma delas senti a emoção de entrar no ambiente sagrado da Nossa Senhora negra.

Tudo na colina sagrada lembra a devoção por Nossa Senhora Aparecida
Tivemos a sorte de contar com um padre extremamente simpático, alegre e animado, que fazia da celebração da missa uma reunião de velhos amigos. Falou de sua amizade com Acácio Santana, mestre de nosso maestro Robson, ficou encantado com nossos cantos e se disse agradecido por nossa participação em sua missa, especialmente por sermos de Santa Catarina, terra que ele disse gostar imensamente. Havia um mestre de cerimônias e um cantor oficial da Basílica dirigindo o culto, homens  muito bem preparados, como são todos os servidores e oficiantes em serviço no templo.

O cantor se perde ao sentir a mansidão que reina no templo 
Depois da missa, muitos de nós demoramos um tempão visitando as instalações, sem vontade de ir embora. Só fomos mesmo por que a basílica seria fechada em seguida, para o descanso sagrado dos peregrinos como nós, alguns dos quais ficamos até altas horas celebrando no bar da piscina do hotel, cantando sambas enredos e marchinhas nem um pouco ortodoxas. Ninguém é de ferro, né, apesar de que no outro dia sairíamos às sete e meia da manhã para nossa visita ao Mosteiro de Frei Galvão. Novas emoções ali nos aguardavam ...
  
       
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Viva e deixe morrer





De alguma forma nós estamos sempre alimentando outras pessoas com nossa energia. Se deixarmos o campo áurico aberto, elas também nos alimentam, mesmo à distância. Essa é a base da experiência obssessiva ou da cura, a depender do padrão energético estabelecido na troca. Quando sentimos muito a falta de alguém, ou quando manifestamos repulsa por uma pessoa, estamos mantendo essa pessoa energeticamente ao nosso lado e podemos estar impedindo seu movimento pessoal na direção de seu destino natural.  Pessoas sem preparo emocional para essa troca energética são facilmente aprisionáveis. E isso pode ser muito grave! Por isso devemos sempre evocar energias positivas e amorosas, mesmo para os inimigos declarados. E devemos sempre ter como foco o desprendimento pessoal, que faz com que as pessoas que passaram um dia por nossas vidas sigam seus destinos. Mesmo, e talvez principalmente, as que já morreram. 


Se vamos ter saudade de alguém, de um amor do passado, de um parente querido, ou do que seja, que se resuma numa saudação energética de agradecimento e votos de "boa viagem". 


Tudo o que nos cerca tem energia e nós fazemos trocas energéticas o tempo todo, com as pessoas e com os ambientes. Nessa troca, podemos sair revitalizados ou defasados porque sempre que há uma troca energética ocorre o equilíbrio das energias. É importante termos conhecimento de como isso acontece para promovermos trocas saudáveis. Nós captamos a energia universal, pura, e a transformamos em energia consciencial, a partir de nossos pensamentos e sentimentos. Isso significa que tudo o que pensamos e sentimos definirá o nosso padrão energético. Cada pessoa é um composto energético único e complexo. Se alguém nos evoca, por exemplo, podemos perder energia, a depender do tipo de demanda que se estabelece entre o espírito do invocador e o nosso. Cada um de nós individualmente temos nosso Eu Superior, que guarda todos os registros de nossas vivências ao longo da eternidade, e pode responder de forma afirmativa, evidenciando progresso e evolução, ou negativa, demonstrando o lado sombra da influência que se instala em nosso corpo astral. 

Evocações de saudade, por exemplo,  não são positivas em nenhum sentido, embora possam ser românticas. A saudade evoca carência e suga-se das energias conscienciais do outro, esteja ele neste plano físico ou no plano astral. Por isso, em muitas sessões espíritas os que já passaram para o outro plano aparecem pedindo orações. É uma forma de se livrarem da obssessão dos seus ente queridos, que não os deixam seguirem seu destino no plano astral, evocando o tempo todo a saudade que sentem... Essa energia gerada pela demanda emocional dos que ficaram no plano físico atrapalha o espírito que acaba de chegar no plano astral. 

Nós temos reações energéticas diferentes, dependendo das pessoas com quem nos relacionamos e dos ambientes que frequentamos. Quando você consegue dominar as próprias energias e faz uma leitura correta das pessoas e dos ambientes, tem mais facilidade para perceber como se sente em determinados locais e com certas pessoas. Assim, poderá selecionar com quem irá se relacionar e que tipo de locais deseja frequentar. Você vai descobrir que deverá estipular um tempo máximo para ficar com algumas pessoas e em certos lugares. Quando estiver com pessoas muito defasadas, seja assertivo e mantenha a aura bem definida para evitar a desvitalização, que é uma das causas da depressão. Quando nos aproximamos de alguém defasado energeticamente, ocorre a acoplagem áurica e entramos no padrão da pessoa. Atraímos os assédios que a acompanham e esses passam a roubar também a nossa energia. Prestar atenção aos sinais também é um bom sinal para perceber melhor as próprias energias: cansaço, dor de cabeça, frio na barriga, sono repentino são, normalmente, sinais da presença de assédios espirituais. Porém, independentemente dos sinais, preste atenção aos seus sentimentos. Toda vez que um amparador espiritual se aproxima, você sente um enorme bem-estar.



Ter conhecimento das próprias energias, fazer trocas saudáveis, evitar bloqueios energéticos é essencial para manter um padrão energético saudável e atrair amparo espiritual. As técnicas de autodefesa energética nos ajudam a equilibrar as energias. Devemos aprender e realizar diariamente a interiorização, exteriorização e circulação de energias, através de preces, meditações e outras práticas saudáveis. Quem possui consciência dos vários padrões de energia, sabe defender-se daqueles que são defasados. A nossa melhor defesa é o que somos. Diariamente, avalie como são as trocas que você realiza. Observe como se você se sente no trabalho, com a família, com o seu parceiro afetivo. Procure realizar trocas saudáveis, somar conhecimento a cada relacionamento e evoluir espiritualmente. Procure manter distância de indivíduos ou ambientes onde se sinta deprimido, sob a influência das energias pesadas do lado sombrio da existência. Abençoe os seres que estão no umbral estagnado da espiritualidade, reze por eles, mas, não deixe que eles se alimentem da sua energia vital. Esse é o caminho da prosperidade! Para nossa saúde física, emocional e espiritual, é importante pulsar numa frequência e dimensão acima das influências negativas e dos assédios.  E isso é perfeitamente possível, desde que estejamos atentos aos sinais. Nossa intuição não falha! 




Não percamos de vista que esta passagem pelo plano físico é apenas uma etapa em nossa evolução. É uma oportunidade a mais que nos é dada para seguir no rumo da completude, do estado de iluminação, onde seremos um corpo átmico completo, mergulhado no prazer da existência pura e simples, como energia atemporal no Universo. Isso, para os que crêem na lei do Karma e da Reencarnação. Ou na vida eterna após o ajuste de contas, para os cristãos tradicionais. Não importa qual futuro nos aguarda! Ele será melhor ou pior, dependendo do que estamos fazendo hoje. 


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Redemption Song




A distância até Lages é de 220 quilômetros a partir da ponte que dá acesso ao centro de Florianópolis. Calculei tres horas com folga e saí do Rio Tavares 20 para as sete da manhã. Trânsito nenhum na via usualmente engarrafada. Milagres do horário de verão!  Com facilidade cruzei a ponte e segui meu caminho para Lages, afim de submeter-me à primeira sessão de Terapia de Vidas Passadas.
Terapias não são novidades para mim. A partir dos 25, fiz tudo quanto é tipo de terapia, em grupos ou individuais: Grito Primal, Freud, Reich, Lacan, Osho, Psicodrama, Gestalt, ufa!  Compreender mentalmente até que compreendi, mas, não resolveu muito minha vida. Aos 50 e poucos parei com as terapias e resolvi fazer apenas Reiki, meditar e rezar. Pelo menos, saiu mais barato!
À cada parada nas intermináveis obras da estrada, ia pensando nestas experiências terapêuticas e em minhas outras incompetências e rebeldias, enquanto via os ponteiros se aproximarem perigosamente das nove horas da manhã. Minha sessão estava marcada para 10 horas da manhã e ainda estava passando a cidade de Alfredo Wagner, à 110 km de Lages. Finalmente, depois de uma longa subida, eis que se apresenta o Planalto Serrano e suas retas maravilhosas. O pequeno Fiat Uno 2013 passou a ser pilotado por um dublê de piloto F1 e às 10 horas em ponto eu estacionei na esquina da Frei Gabriel com Santos Dumond, no centro de Lages.   
Aparece o principal obssessor
Depois de anotar meus dados pessoais, o terapeuta perguntou-me se eu sabia qual era a natureza do trabalho ali. Eu respondi que sabia apenas o mínimo. Ele aparentemente julgou que era suficiente e absteve-se de explicações. Apresentou sua auxiliar, que faria o papel de canalizar as personalidades que aparecessem durante o trabalho, “haaa... perfeitamente, professor, seja lá o que isso queira dizer...”.  Na verdade, ela serviria de médium para incorporar os espíritos que aparecessem e, através dela, o terapeuta dialogaria e interagiria com eles. Falei um pouco do que me levava até ali, disse da sensação de que algo estava errado na minha vida, os sentimentos estranhos de incompletude, a insegurança nas relações afetivas de namoro ou casamento, mesmo ao estar próximo de completar 63 anos de idade.  Disse também da esperança de que algo diferente pudesse me ajudar a romper com certos traumas de infância, etc, no que fui interrompido por uma pergunta direta e seca: “Que trauma te incomoda mais?”.  O primeiro que me veio à mente foi a expulsão de nossa família das terras do meu avô, quando eu tinha 5 anos de idade e, ao começar a relatar como foi, o terapeuta começou a pigarrear de forma tão insistente que me senti instigado a comentar que eu vi muitas pessoas na mesma situação dele, talvez o tempo não esteja muito favorável nesta mudança de estação.  “Este pigarro não é meu, é você que o trouxe. Por que?”  Imediatamente lembrei-me que aquele meu avô morrera de câncer de garganta, que depois virou metástase, e que ao vê-lo em seu leito de morte eu tinha dúvidas se o perdoava ou se o continuava odiando.
Nisso a médium auxiliar começou a falar algo incompreensível e o terapeuta disse para mim: “Olhe só, seu avô acaba de chegar”.  Ele falava através dela e o jeito de falar era mesmo parecido com o do velho. Uma fala pra dentro, com pouca sonoridade, conceitos dúbios de difícil compreensão imediata. O terapeuta falava com ele, para tentar clarear as coisas. Decorridos quase 40 anos de seu falecimento, ele ainda não sabia que tinha morrido. Achava que os familiares o tinham abandonado num lugar de doentes, um lugar cheirando à aroma adocicado, todos tinham o olhar esbugalhado e cada um cuidava de si, não existia qualquer amizade ou solidariedade entre as entidades presentes ali. Disse que depois de muito tempo apareceu um grupo de pessoas dizendo que iam levá-lo para tratamento em outro lugar, mas ele aproveitou a oportunidade e fugiu. Daí se grudou em mim, por que nós éramos amigos há muito tempo, gostava de mim, gostava principalmente de beber comigo. Eu era um bom companheiro de copo, mas, agora também o tinha abandonado e ele disse que estava com muita raiva por causa desse abandono.
O terapeuta explicou-me que o corpo astral de meu avô foi parar num Umbral onde habitavam espíritos de mesmo nível, todos cancerosos em péssimo estado evolutivo, sem qualquer consciência. As pessoas que o foram buscar, provavelmente depois de muitos anos, eram socorristas espirituais que lhe propunham um caminho de cura, um longo tratamento de seu corpo astral, o qual no momento estava em estado deplorável, imprestável. Haveria que passar um longo tempo em tratamento, até ter condições de encarnar novamente como humano e, mesmo assim, provavelmente passaria algumas encarnações morrendo prematuramente ou sendo abortado, até que pudesse refazer algum pacto reencarnatório que o levasse para um nível de vibração mínimo, que desse sustentação a uma nova experiência, por que na última ele regrediu a um nível caótico. O terapeuta disse que era capaz de “ver” o corpo astral de meu suposto avô e que o que via não era nada animador. A situação estava péssima, o que muito me prejudicava, por que ele havia se tornado meu obssessor principal e não tinha a menor intenção de me largar.
Na sequência do diálogo com o terapeuta espiritual, meu avô disse que se pudesse teria evitado minha ida àquela sessão em Lages, mas que não podia fazer nada para impedir, por que eu havia ingressado em um campo fora de seu alcance. Imediatamente lembrei-me das sessões de reiki e de meditações que retomei nos últimos 15 dias, e de como isso possa ter-me colocado vibrando numa dimensão inalcançável pelo obssessor. Fiquei feliz e emocionado por isso, ao perceber que de fato as orações e as atividades de cunho religioso afastam as trevas e os maus espíritos.
O terapeuta perguntou ao espírito de meu avô a razão pela qual me seguia e este respondeu que eu era seu único amigo. Quando foi perguntado se aceitaria ajuda para se curar, respondeu que não, que não acreditava em nada daquilo. Então, iniciou-se um embate entre o terapeuta e o espírito de meu avô, que dizia não haver mais esperanças para ele, que haveria de morrer assim.  Algo realmente confuso, pois , parece que ele de fato se negava a aceitar que já estivesse morto. Colocado contra dados irrefutáveis, lembrou-se de como a doença o maltratara em vida e concluiu que estava mesmo em outro patamar, mas se recusava a aceitar ajuda. Foi então orientado e desafiado a voltar mais e mais no tempo, até que entrou no ar outra personalidade, desta feita um espírito de uma pessoa muito rica e poderosa, que tinha uma associação comigo em uma remota vida passada, provavelmente na idade média, pelas características vistas pelo terapeuta a partir da canalização da médium. Nós éramos dois nobres senhores e vivíamos em intermináveis orgias, gastando o dinheiro que tínhamos à vontade. Comprávamos de tudo, de amantes a amigos, promovendo festas devassas. Éramos grandes amigos, mas, já não era a primeira vez que vivíamos juntos. Já tínhamos firmado vínculos em outras vidas anteriores. Ao longo do trabalho terapêutico, muitas representações de laços cármicos foram sendo esmiuçadas, em ordem desconexa e às vezes incompreensível para mim, mas, com a ajuda e experiência do terapeuta, construímos um quadro que me pareceu coerente, dentro mesmo do sentido da palavra KARMA, que significa Roda em sânscrito, a língua sagrada da antiguidade. Significa que a imensa maioria dos espíritos passam encarnações após encarnações repetindo as mesmas coisas, gerando pequenas vinganças, trocando de papéis no mais das vezes, sem tomar a direção do crescimento espiritual verdadeiro, do caminho da consciência para a evolução, em busca do estágio que vai finalmente nos libertar da roda que gira sem sair do lugar.
O Enredo das Vidas Passadas com Meu Avô
Numa vida remota, num ponto indeterminado no tempo, eu estabeleci uma parceria com uma de minhas esposas na vida atual, algo como marido e mulher. Tivemos então tres filhos, mas eu tinha dúvidas se eles tinham sido gerados a partir de mim ou se eram de outros homens. Por isso os abandonei a todos, juntamente com a mãe deles. Caí numa vida de irresponsabilidades e bebedeiras. Um dos filhos era meu atual avô, que era o mais velho e fez de tudo para que eu não os abandonasse. Eu não lhe dei ouvidos.  Morri de um ataque do coração, aos 69 anos de idade, profundamente arrependido, porém sem ter mais como consertar os estragos que fiz.  
Numa encarnação posterior, meu avô foi casado com minha atual mãe e eu fui o filho deles, sendo também abandonado, como vingança cármica do que eu próprio havia cometido em encarnação anterior. A então esposa (minha mãe atual) era uma mulher devassa e vivia aos trancos e barrancos com seu marido (meu avô paterno atual). Nenhum dos dois me protegeu e passei uma vida de grandes privações.
Depois aparece uma encarnação onde meu avô é um doente mental (ou médium, não fica muito claro) e sofre terrivelmente, sendo amarrado numa jaula. Parece que eu fui algum tipo de algoz ou carcereiro, o que só fez aumentar o vínculo e o ódio cármico de um pelo outro.
Quando tivemos a vida de nobres amigos, o vínculo ficou mais fortalecido, com as bebedeiras e orgias que fizemos juntos. Até que vem a encarnação atual, onde ele se vinga novamente, promovendo a expulsão de meu pai, cujo papel ainda não apareceu na história. Muitos outros papéis dos atuais filhos, esposas e tantas pessoas envolvidas nesse “saco de gatos” ainda estão por serem elucidados, caso dê continuidade ao processo terapêutico.  
O Encaminhamento do Espírito Obssessor
Num ponto do embate, o espírito de meu avô se diz extremamente cansado, quando lhe é ofertado novamente se quer fazer o pacto para se curar e se livrar dos sofrimentos atuais. O terapeuta lhe diz que só há duas alternativas: Ou aceita a cura e segue as regras, ou volta para o Umbral dos doentes, o que fatalmente acontecerá se ele não se tratar e continuar sugando energia de obssecados como eu. Parece claro que eu não sou o único neste jogo mortal (talvez meu irmão seja outro?). O terapeuta pergunta se ele está vendo pessoas que queiram ajudá-lo e ele responde que sim, que está vendo essas pessoas ali presentes. O espírito quer saber se eu posso perdoá-lo e o terapeuta responde que não é necessário, que ele não precisa do meu perdão. Incentiva-o a aceitar a ajuda que os socorristas estão lhe oferecendo e ele diz que aceita.  Em princípio há uma sinalização de solução para o caso de minha obssessão, mas, por tratar-se de um espírito extremamente rebelde e preguiçoso, pode ocorrer justamente o contrário, dele se agarrar ainda mais na minha vida, afim de sugar as energias que necessita, principalmente a do álcool, de modo que convém realmente que eu não dê chance, que não abra essa brecha, por que, se eu deixar entrar o primeiro copo, passo a dividir automaticamente o controle da minha sobriedade com este espírito que me acompanha há muito tempo. E aí, senhoras e senhores, só a misericórdia divina para tirar-me novamente do buraco onde estarei me refestelando com o espírito de meu avô, bebendo todas até o ponto da embriaguês e da insconsciência. Como eu parei de alimentá-lo, o espírito obssessor está com muita raiva e, se pudesse, sua vingança seria terrível. Por isso mesmo, o terapeuta chama a atenção para as práticas espiritualistas que me elevem a um patamar vibratório que ele não possa alcançar.  
O terapeuta diz que não adianta lutar contra o obssessor na base da simples vontade, ou com orações que peçam à divindade ou aos meus protetores o seu afastamento, por que sou eu mesmo que o trago, uma vez que tenho vínculos com ele que vêm de muitos e muitos séculos, muitas e muitas vidas passadas. Diz que o que eu preciso fazer é romper esses laços de forma unilateral. Diz que eu devo rezar por ele, sim,  pedir que se encaminhe para tratamento, para sair do estágio atual e iniciar um longo caminho de aprendizado, algo que só ele pode fazer, pois mesmo os seres no Umbral astral possuem livre arbítrio.

Quando estamos para encerrar a sessão, que já passou das duas horas convencionais, aparece o registro akáshico da minha vida anterior, na qual abandonei meu filho/avô à sua própria sorte, eu que deveria cuidar da segurança dele e de sua mãe (uma das minhas companheiras na vida atual).  O terapeuta explicou que essas aparições são parte da minha personalidade, meu Eu Superior, minha alma imortal e seus registros que se personalizam para trazer alguma mensagem. No caso a mensagem que a médium captou foi a seguinte: "queria pedir que ele não fique apenas refletindo a respeito do karma, mas que parta para o resultado que interessa, quero pedir que ele comece a trabalhar pelo nosso futuro resgate, que comece a limpar os erros do passado, é um longo trabalho, que não vai se concluir nesta encarnação, mas, que é preciso começar a ser feito".  
Já passou da hora!