sábado, 26 de dezembro de 2015

RESUMO DA SEMANA: Chico Buarque quer chupar cana e assoviar ao mesmo tempo.





CHICO BUARQUE QUER CHUPAR CANA E ASSOVIAR AO MESMO TEMPO


Arte só tem valor verdadeiro quando orientada para a transformação do mundo. Quase sempre, isso evolve combater o sistema dominante. Mesmo a arte pictórica, que não se expressa na linguagem propriamente política, é diferente quando patrocinada pelo poder ou quando feita à revelia deste. Os pintores clássicos, que produziam sob encomenda dos reis, príncipes ou das autoridades religiosas, podem ter seu valor artístico enquanto pesquisadores e inventores de um estilo. Mas, não se comparam com os pintores que faziam de sua arte uma linguagem de protesto e contestação. Compare Van Gogh com Renoir, por exemplo, e vão entender o que eu digo. Quando Picasso se auto exilou em Paris, em protesto contra o regime fascista de Franco, logo foi alcançado pelas forças de Hitler na ocupação da França. Contam que um agente da Gestapo o trouxe para um interrogatório e, mostrando uma foto da obra "Guernica", inspirada no famoso bombardeio de um a aldeia, durante a guerra civil espanhola, onde Hitler teria testado suas armas para a guerra que se aproximava, o oficial perguntou a Picasso "Foi você quem fez isso?" O artista espanhol respondeu: "Não. Eu apenas pintei. Quem fez foram vocês".

O que mudou na vida do Chico Buarque que combatia a ditadura nos anos 70? Financiamento a fundo perdido para a produção do filme "Chico, um artista brasileiro" = 4,5 milhões de reais. Vai ter o mesmo fim do "Lula, o filho do Brasil", que é vendido em lojas de 1,99. Não é preciso dizer mais nada, mas eu digo. Chico não se diferencia em nada da elite que tem os olhos para a Europa e a bunda virada para o Brasil. Usufrui de direitos que não deveria. Os financiamentos culturais, são prioritariamente para novos talentos. O que faz com que eles sejam destinados a velhos figurões como Chico, sua namorada e seu irmão? O seu comprometimento com o regime atual, corrupto, inepto, imoral, aliado com o que há de pior na vida brasileira. Podem acrescentar outros adjetivos, à vontade.

Não é proibido ser puxa saco de um governo como esse. Mas há um preço político a pagar por isso. O senhor Chico Buarque pode se comprometer com essa gandaia nacional, se quiser, mas, não espere que continue sendo o velho Chico da contestação, da conquista da liberdade, da luta pela volta da democracia. Ninguém critica o Chico como artista, mas, sim pelo valor político que ele agrega no apoio ao governo. Justamente por ter a história que ele tem, o seu gesto não pode ser considerado como o de um "zé ninguém". Quem fez canções como "Vai passar", não pode alegar ingenuidade ou ignorância. É interesse pessoal e isso tem um nome: puxa saco do sistema. Hoje, os conceitos de Direita e Esquerda se perderam. O que faz sentido é se uma pessoa está comprometida com a melhoria e a transformação do mundo. Não dá para classificar como popular e progressista um governo que se apoia em aparelhos velhos e carcomidos como CUT, UNE, etc, bem como se nutre das alianças com os latifundiários mais atrasados que se conhece, além das estruturas viciadas em corrupção, já provadas e condenadas pela justiça federal. Veja a base de apoio dos governos do PT: Sarneys, Renans, senadores como Sergio Cabral e Requião, deputados como o homem da cueca cheia de dólares, etc. Até poucas semanas atrás, era aliado e comprava apoio em troca de cargos para um sujeito chamado Eduardo Cunha. Por isso, Chico Buarque ou qualquer outro artista que apoie o governo, não pode querer passar como interessado em justiça social. Ele até pode argumentar sua posição de cidadão, que o autoriza a fazer o que bem quiser com seu apoio, sua fama e seu legado. Cabe aos cidadãos conscientes, deixar claro o que isso significa ao final das contas. E que contas!!!

Esse episódio sobre Chico Buarque foi bem ilustrativo do que está ocorrendo no país. Há um clamor nacional contra o governo Dilma, mas também contra o mundo político como um todo. A percepção do desgaste da tão (mal) falada "classe política" é visível, especialmente nos setores mais autônomos, que não dependem tanto de ajuda governamental. Os casos de corrupção deslavada, que se espalham por todos os partidos e poderes, dá a sensação de um mal estar depressivo, principalmente por que não há no horizonte qualquer alternativa visível. A lama é geral, ampla e irrestrita. Por isso mesmo, os artistas não podem se considerar acima do bem e do mal. Eles são julgados por suas posições políticas, como qualquer pessoa pública. Querer se beneficiar pessoalmente do apoio ao governo, e ao mesmo tempo manter a popularidade junto à opinião pública mais bem informada, é impossível Senhor Chico Buarque. Ninguém te cobra que seja o mesmo ídolo de antes, podes até apoiar o governo, de olho nos patrocínios para ti e para os teus, mas, arque com as conseqüências políticas.





sábado, 19 de dezembro de 2015

O mundo visto a partir do Campeche. Resumo da semana.






STF SE RENDE AO GOVERNO


O jogo político se dá nos bastidores, todos nós já sabemos há muito tempo. O que aconteceu para o STF jogar no lixo sua já baixa reputação, negando o voto do relator e tomando uma decisão completamente sem nexo, nem amparo constitucional? Eles não apenas inverteram as regras do jogo aplicadas contra Collor em 1992, na vigência das mesmas leis. Mudaram o resultado da partida, em pleno andamento. É um deboche para a cara dos pagadores de impostos que os sustentam!   De outro lado, mas, com os mesmos propósitos, o time de Lula está ganhando em vários outros confrontos de bastidores. O que foi fazer sua excelência, o ministro da justiça, numa madrugada em Curitiba? Do resultado de todas as tramas, o que temos para hoje é essa malemolência que requebra ao luar, nossa tão falada versatilidade, o "jeitinho brasileiro" de ser. O país que se foda, desde que os que estão no poder preservem suas vantagens. Delatar, pra quê? Daqui à pouco o Levandowski pode soltar todo mundo. 

A economia está desabando e vai piorar. 
Os eleitores de Dilma não vão ter feijão para colocar na mesa. 
Mas, segue o samba da gandaia, ô ô ô, tá chegando o carnaval...!!!




A ESQUERDA BURRA CONTINUA A MESMA 
(Desde os tempos de Gilberto Freire)


A frase estampada nesta camiseta é um axioma (dogma) da esquerda tradicional e convencional. O liberalismo econômico do mundo moderno não admite o latifúndio, coisa com a qual a esquerda brasileira convive tranquilamente. O capitalismo de hoje não tem nada a ver com o que Marx imaginou 150 anos atrás. A magia da vez se chama "mercado consumidor". Não se faz consumidores com uma população analfabeta, certo? Então... O senhor Mino Carta vende suas preciosidades para a chamada esquerda, mas, vive de verbas dos governos, como todos os demais, incluindo os portais chapas brancas, a Veja, Isto É, Folha, Estadão, Globo, etc. A diferença é só a cor do texto.
Atenção. Vejam os argumentos dos kirchneristas argentinos para justificar o imposto sobre exportação de trigo, cobrado no antigo governo de Cristina e abolido no novo governo de Mauricio Macri. Aqueles partem do pressuposto de que o preço internacional, sendo maior do que o preço no mercado interno, vai fazer com que os consumidores argentinos paguem o preço internacional, dolarizado. Perfeitamente correto, é isso mesmo que acontece. O problema começa quando o governo intervém e proíbe as exportações. Aí os produtores param de plantar trigo e vão plantar soja, cujas exportações são livres. Acaba faltando trigo nas padarias, do mesmo jeito como se tivessem sido exportados. E mais grave: ninguém ganhou nada com isso. Nem os produtores, nem o governo, nem os consumidores. Por isso, o melhor meio de regular o mercado é não ter regulação nenhuma. Por mais que pareça absurdo a uma ala supostamente esquerdista, o livre mercado capitalista é um regulador natural. Como as melhores receitas da vovó.


WHAT'S GOING ON?


O Bloqueio do aplicativo WhatsApp suscita várias questões de largo espectro. A primeira é de caráter antropológico, ou seja, do ponto de vista da humanidade, é uma ótima oportunidade das pessoas se questionarem sobre o que estão fazendo com suas vidas sociais. Outro dia vi o comportamento de uma moça dentro do ônibus urbano que vai do Centro de Floripa ao campus da UFSC no Pantanal. Do lado direito das janelas, uma deslumbrante paisagem de um final de tarde com a Baía Sul emoldurada pelas montanhas do maciço Cambirela, algo que só existe no cinema. Pois, a moça sentou-se do lado esquerdo e, depois de despachar várias mensagens de voz (suponho que pelo tal What's Up?), tentava desesperadamente localizar alguém pelo telefone celular. Qualquer pessoa, com a qual pudesse conversar.

Numa lanchonete do centro da cidade, ao lado de um cursinho pré vestibular, vejo todas as várias mesas ocupadas. Todos falavam ao mesmo tempo, mas, ninguém com alguém que estivesse fisicamente ali. O Coral onde eu participo tem umas 60 pessoas. Resolveram montar um grupo WhatsApp, onde me cadastraram. Era o único a que eu pertencia. Comecei a receber tantas mensagens irrelevantes, que saí do grupo no dia em que contei 95 delas. Do ponto de vista sociológico, político e jurídico, é de se questionar a empresa detentora das propriedades autorais do aplicativo, se ela deveria ou não colaborar com a justiça, abrindo o sigilo de um suspeito em investigação policial, como parece ter sido o caso em questão, que motivou o bloqueio. O sigilo em princípio é um direito humano básico, tanto que os criminosos do colarinho branco costumam deixar a todos com caras de tacho, quando vão depor a um delegado, juiz federal ou no próprio congresso nacional, e alegam direito ao silêncio. Democracias liberais, como os Estados Unidos e Europa, costumam respeitar este direito para todas as camadas sociais, e não apenas para os privilegiados pela sorte. 

QUEM É PEPE MUJICA?


Há uma febre de Pepe Mujica no Brasil. Outro dia ele esteve aqui na UFSC, para uma palestra de abertura de uma tal Semana do Clima. É assim, convidando, ele vai. Como dizia um velho professor extremamente conservador e anti comunista dos meus tempos escolares: "esquerdista não perde oportunidade de falar. Se convidado a falar sobre carvão mineral, ele vai. Se convidado a falar sobre oceanografia, ele vai. Mas faz sempre o mesmo discurso".   Agora, o velho avozinho tupamaro deu para aconselhar a juventude, que o ama, como parece ser, à primeira vista, pois sua palestra na UFSC teve todos os ingressos distribuídos já dois dias antes, e instalaram vários telões para as milhares de pessoas que ficaram do lado de fora.   A verdade é que Pepe Mujica é aliado de primeira hora dos bolivarianos, Lula, Dilma, Kirchner, Morales, Correa e Maduro. O quinteto fantástico, que se soma a alguns trapalhões da América Central para a difusão de um novo sistema de socialismo exótico, que está falindo todos os países que tentaram adotá-lo.   Não foi o caso do Uruguai. Embora formasse fila com os bolivarianos, o governo de Pepe Mujica no Uruguai foi o mais conservador possível.


MAURICIO MACRI CUMPRE PROMESSAS DE CAMPANHA
Mauricio Macri começou a governar a Argentina, cumprindo uma das suas mais marcantes promessas de campanha. Acabou com o imposto de exportação de produtos agrícolas. A política de restringir exportações de alimentos em um país que se notabiliza pela qualidade e quantidade da sua produção, foi utilizada pelos governos Kirchner com dois propósitos complementares: 1) para garantir que o mercado interno fosse abastecido. 2) para aumentar a arrecadação de impostos. Nem uma coisa nem outra apresentou resultado positivo. Os produtores de carnes, laticínios e cereais boicotaram deliberadamente a produção, em vista dos baixos preços controlados no mercado interno. Acabou faltando suprimentos para as famílias, mesmo que a produção não tenha sido exportada. Na outra ponta, diminuindo a produção, também não houve o esperado incremento da arrecadação. No ano de 2008, já no segundo governo Kirchner, houve um boicote nacional dos produtores e isso afetou gravemente o abastecimento interno. A partir daí, as relações entre o governo e o meio rural foram se tornando cada vez mais ásperas. De um lado, os produtores acusavam Cristina de autoritária e incompetente e, de outro, o governo acusava os produtores de traidores da nação. Neste jogo de gato e rato, o país ficou estagnado economicamente, com exceção da exportação de soja que, mesmo taxada a 35%, atingiu 10 milhões de toneladas em 2013, a segunda maior do mundo. O Brasil, maior exportador mundial, onde não se cobra imposto de exportação, vendeu 50 milhões de toneladas do mesmo produto em 2013. 
Segundo o novo governo argentino, não é possível retirar de uma só vez a tributação sobre a soja, para não causar um grande baque sobre a gestão fiscal. Num primeiro momento, a alíquota foi diminuída de 35% para 30%, decepcionando as lideranças dos agricultores, que prometeram continuar as pressões sobre Macri.   No front propriamente político, os militantes peronistas de 'la Kirchner' já mostram que não darão sossego. Sabendo disso, Macri saiu dando logo tres tacadas que vão ocupar bastante a pauta de protestos de rua: 1) Já encaminhou proposta de mudança de nome do Centro Cultural Kirchner, em Buenos Aires, além de insinuar que seria bom privatizá-lo. 2) Colocou imediatamente em prática a sentença da suprema corte argentina, que anulou a Lei que permite aos presidentes da república nomearem Juízes. Àqueles que foram nomeados por Cristina, deu tres meses de prazo para que sejam substituídos por Juízes "DE VERDADE", concursados e sem vínculos partidários. 3) Submeteu ao congresso nacional a revogação da polêmica Lei de Imprensa editada por Cristina, então com o propósito específico de prejudicar os grandes jornais Clarin e La Nación. Lembremo-nos que até o papel para imprimir suas edições, os jornais estão proibidos de importar ou comprar no mercado interno, pois são de fornecimento exclusivo do governo federal. Talvez seja este o ponto mais sensível, que está provocando grande repercussão entre os engajados dos Kirchner.  
É prestar atenção para as próximas semanas. Do sucesso de Maurício Macri depende a democracia da América Latina. 

Louvar ao Senhor e esperar pela sua volta

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

LUGARES IMPROVÁVEIS. Dinamarca.

Cenário onde um Shakespere exilado criou o drama Hamlet.
"beer or not to be".
  Que fazer? Ora, beber cerveja. 

A Dinamarca é um país alegre e progressista. Como todo o norte da Europa, ali predomina a fé  cristã e luterana, embora ninguém vá à igreja. Mas, eu notei que, como os católicos brasileiros, eles vão direto ao pastor da paróquia, em caso de qualquer problema mais sério na família. Quando por lá passei, havia uma febre de crianças, respondendo aos apelos do governo para evitar que o país se tornasse islâmico, devido à imensa onda de imigração proveniente do Oriente Médio. Os homens, quando não estão no trabalho, gastam o tempo bebendo a excelente cerveja nacional e falando bobagens. 

Antes de embarcar para a travessia noturna de transatlântico até a capital da Suécia, fui tomar uma gelada num boteco ao lado do porto de Copenhague. Um vizinho de mesa me perguntou para onde eu iria. Dada a resposta, ele tirou um sarro: " O que de interessante você espera encontrar, num país que sequer é capaz de cultivar morangos e rabanetes com as cores nacionais ?". Como se sabe, as cores nacionais da Suécia são verde e amarelo, como as nossas, ao passo que as da Dinamarca são vermelho e branco. 

Fora disso, são tão chatos como os suecos. 

Cheguei na estação central de Copenhague vindo de Colônia, Alemanha. Na fronteira, um policial dinamarquês entrou em nossa cabine, pedindo os passaportes aos que ali nos encontrávamos. À minha frente, um velhinho não entendeu as várias línguas nas quais o oficial a ele se dirigiu. Eu sabia que ele falava português, por que a viagem inteira ele não parava de ler um livro em cuja capa estava escrito "Bíblia Sagrada". Então, eu disse: "Senhor, este oficial está pedindo seu passaporte". Ele sorriu aliviado, e tirou do bolso do paletó o precioso documento. "Brasileiro???", me cumprimentou, agradecido. Era português, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Mundo pequeno!

A Dinamarca, Noruega e Suécia formam a comunidade escandinávia. Herdeiros da cultura e da tradição viking. Eles se consideram evidentemente superiores à própria raça humana. Se pudessem, exterminariam com toda gente que não fosse loira, esbelta, linda e gostosa. Não há a menor dúvida de que as mulheres daquela região são as mais lindas do planeta. Numa cervejaria, conversei um bom tempo com uma dessas deusas vikings. Elas têm grande curiosidade pelos latinos, mas, infelizmente a curiosidade, no caso, não foi suficiente para algo mais caliente. Ficamos apenas nas, digamos, preliminares. Ela estava de férias marcadas para o que ela chamava de paraíso tropical. Natal e Fortaleza. Ao México já tinha ido. Gostava de Cuba e de Fidel. Eu expliquei a ela que Havana ficava muito longe do Rio de Janeiro, que o Brasil não era só aquilo que ela imaginava em termos de praia e sol, enfim, que era um país real. Quando eu falei que caia neve no inverno a 100 km de onde eu morava, na Florianópolis marinha do sul brasileiro, ela achou que eu estava brincando e pediu desquite. 

É muito barato andar pela Dinamarca. As redes de fast foods são ótimas e estão pelo país inteiro. Até um sanduíche no MacDonalds é muito melhor do que o europeu ou o brasileiro. Pelo mesmo preço internacional. Os supermercados, lojinhas de bairro e armazéns de bebidas, seguem o modelo luterano alemão. São sem gosto e sem sal. Nada a ver com a exuberante e fantástica decoração francesa, italiana, espanhola ou portuguesa, deliciosamente católica e latina. Mas, a salsicha, a cerveja e os salames, continuam genuinamente saxônicos e insuperáveis. Restaurantes variam como o andar do caminhante. Há vários ambientes refinados, próprios para a consumação de príncipes locais e de alhures, assim como existem lugares apropriados para os que andam de mochila às costas. 

Aqui, não há tanto preconceito como na França ou Alemanha. Certa vez, descendo de Chamonix, nos Alpes Franceses, fiz uma paragem para troca de trens e tentei tomar uma cerveja. A dona da birosca disse que não tinha, ainda que nas várias mesas  do local, percebia-se claramente alucinados e falantes norte americanos gordos e ricos sorvendo litros e litros da bebida. Algo semelhante me aconteceu na Alemanha. Pedi uma cerveja num boteco com balcão para a rua. A atendente disse algo incompreensível e eu fiquei ser saber se ela iria servir ou não a bebida. Precisou um alemão que bebia ao lado me explicar, em inglês, que ela não tinha gostado da minha mochila. 

Na Dinamarca, não senti qualquer tipo de preconceito, a não ser de um sujeito que me repreendeu por eu ter adentrado ao jardim de um belo castelo, no interior do país. Eu disse a ele que não tinha visto qualquer cartaz com restrição de entrada, e ele respondeu que era livre, sim, mas apenas no verão. Estávamos com uma temperatura beirando os trinta graus do início de junho. Mas, é certo que ainda não era verão. Não disse a vocês que eles são chatos?


Copenhague é uma Amsterdam mais fria e delicadamente mais educada
















Pra terminar, foi em Odessa, sul do país, que eu fiz a refeição mais economicamente sustentável da minha vida de turista internacional. Um filé mignon argentino com maravilhosas e crocrantes batatas fritas, acompanhado de vários canecos da melhor brown beer do mundo, por apenas 10 dólares.  






  


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

FOZ DO IGUAÇU falando em castelhano



Passeios de barco dentro do rio, são possíveis do lado argentino


Existem nove cabines de pedágio entre Curitiba e Foz do Iguaçu, num trecho de 650 km. Prepare-se para deixar ali mais de 100 reais. Além disso, as pistas são simples em mais de 80% do percurso, onde ocorrem grandes congestionamentos e acidentes, assaltos por conta da bandidagem imaginar que todos que por ali passam estão abarrotados de dólares, para as compras no Paraguai, hotéis e restaurantes que cobram o olho da cara por um serviço do tipo chinfrim, com filas enormes nos bufês e nos caixas. O que fazer? Não tem outro caminho, tem?

Tem! 
É mais vantajoso ir a Foz pela Argentina. Eu explico. 

De Florianópolis à fronteira argentina são 700 km de rodovias sem pedágios. Sessenta quilômetros antes, está a cidade de São Miguel do Oeste (SC), 40 mil habitantes, que tem uma excelente estrutura de serviços, bons restaurantes e hotéis onde se pode pernoitar a preços módicos. No outro dia, mais uma hora de viagem e você está em Barracão (PR), onde atravessa a fronteira para a província de Missiones, Argentina. É necessário obter visto de entrada, para o qual se deve apresentar Passaporte ou Carteira de Identidade recente,  e comprar uma Carta Verde, 30 reais por veículo para sete dias no país, documento vendido por vários despachantes no entorno da Aduana argentina. 

Praça central de Eldorado, Missiones


Pronto! Você já está em território inimigo, digo, argentino! Uma agradável viagem de 130 km no cenário da floresta tropical, te leva até a simpática Eldorado, localizada a dez km do Rio Paraná, em cuja margem se encontra um belo parque natural. Pode-se passar o dia e pernoitar  em Eldorado, se houver tempo,  ou simplesmente almoçar e seguir viagem. Escolha uma das várias parrilhas ou casas de massas, com o insuperável sabor argentino. Não se esqueça de encher o tanque do carro, pois aqui a gasolina está a 2,90 reais, ao invés dos 3,60 de Foz. 


Filé à parmeggiana

A estrada que leva a Iguazu, do lado argentino, é uma maravilha com 100 km de pistas duplas, segura e bem sinalizada. No caminho, vários hotéis e restaurantes de primeiro nível. E apenas um pedágio: 5 reais. Deve ser pago em pesos, portanto, se você não os comprou na fronteira, prepare-se para deixar uma propina razoável ao rapaz da cabine. Falando nisso, convém comprar os pesos dos cambistas de rua, na fronteira. Quando eu fui, outubro-2015, eles pagavam quase o dobro do câmbio oficial. 


Eu recomendo pelo menos um dia de hospedagem em Puerto Iguazu, por várias razões: 1) Hotéis e restaurantes são mais baratos do que em Foz. 2) Pra visitar as cataratas do lado argentino, aproveitando para curtir o dia em seu maravilhoso parque, há necessidade de visto de entrada no país. Visto que você já obteve quando cruzou a fronteira em Barracão. 3) Aproveite para gastar seus pesos argentinos e perder seu "peso" brasileiro, andando pelo parque imenso, repleto das cachoeiras e matas virgens. 4) Estando dentro das condições de saúde exigidas, faça o passeio de barco pelo rio, ao lado das cataratas. É como dizem: o Brasil tem as melhores vistas fotográficas, mas as quedas estão do lado argentino.   

Depois de um dia inteiro no parque, provavelmente você estará cansada. Seria bom uma segunda noite, um bom banho no hotel e uma cena à rigor. De novo, a deliciosa massa ou assado argentino, acompanhados pelo excelente vinho de Mendoza ou Salta, a preços muito melhores que os nossos melhores nacionais. Num restaurante de padrão médio, o jantar para duas pessoas vai sair em torno de 50 reais. Um vinho Norton Roble Malbec 2013, comparável aos melhores brasileiros do Vale dos Vinhedos (RS), sai por 15 reais no restaurante. Em super mercados você pode comprá-lo a 5 reais. Eu aproveitei e trouxe uma dúzia. 

Dando continuidade a essa viagem aventureira, o turista está pronto para voltar à pátria. Ao passar pela aduana não é necessário nem desembarcar do carro. Nem obter visto de volta na aduana brasileira. 

O município de Foz do Iguaçu conta com mais de seis mil hotéis e pousadas, de todos os tipos possíveis. Há resorts 6 estrelas e centenas de albergues, com várias intercalações entre hotéis de luxo, pousadas simples, etc. Normalmente se encontra hospedagem disponível, mas, o ideal é fazer a reserva antecipada. A eventual decepção com o local escolhido é menor do que a de não encontrar vaga. 

Das maravilhas de Foz não é necessário falar. A cidade foi feita para o turismo. A Usina de Itaipu é um acidente histórico geográfico, construída na época do Brasil Grande. Felizmente é nossa maior fonte de energia elétrica, embora tenha inundado centenas de quilômetros das terras mais férteis do mundo. Por causa dela, uma parte de minha família foi parar em Rondônia, onde ficaram milionários. Neste caso, a parte pobre que ficou por aqui, penhoradamente agradece aos militares brasileiros que, com a imensa barragem, tinham a intenção de ter à mão uma arma mortal em caso de conflito com a Argentina. Hoje, é também uma grande atração turística. 

Vinte dutos como esses captam a água da represa e alimentam os geradores de energia. 
        






segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

TURISMO IMPROVÁVEL

Turismo sempre é visto como uma atividade a ser cumprida como um agradecimento à Deus por algo que fizemos. Não é? 

Tem que ter um destino "top", tem que ter passeios pré programados, tem que ser com guia especializado no local de visita, enfim, é mais um problema a ser resolvido do que um programa a ser curtido. Nas viagens internacionais é pior, por que você, além de tudo, tem que prever a questão burocrática. Numa de minhas viagens à Espanha, justamente aquela com um propósito religioso e artístico, deparei-me com uma senhora companheira de viagem a tentar falar com seu filho, por um telefone celular, onde ela queria orientação do rapaz como fazer funcionar a câmera fotográfica.  rsrsrs arghhh!!!

No Brasil e na América do Sul, tenho recorrido todos os quintais. Às vezes me vejo interessado em renovar alguma viagem, mas, apenas ao lembrar as lambanças e problemas do passado, já vou desistindo. Já tive que importar meu próprio carro para entrar no Peru, por exemplo. Não é a prova de que nos tornamos, finalmente, animais irracionais???

A MORADA DOS DRUIDAS




O Canyon do GUARTELÁ fica na região dos campos gerais do Paraná, entre as cidades de Tibagi e Castro. Há duas formas de contemplá-lo.

1) Pela parte de cima, onde se localiza o Parque Estadual do Guartelá. Há uma trilha padrão para os turistas apreciarem o cânyon. O Parque é acessável pela rodovia asfaltada, em boas condições, que liga as cidades de Tibagi e Castro, 60 km.  Ambas possuem boa rede de hotéis simples, porém confortáveis, a preços módicos.  Além da trilha padrão, há uma outra mais complexa, para entrar mais à fundo no parque e apreciar as inscrições rupestres pré históricas. Essa eu nunca fiz nem é recomendável para visitantes de primeira viagem.




2) Pela parte de baixo, ou seja, por dentro do cânyon, que é formado pelo leito do pequeno Rio Iapó, correndo entre paredões, ao longo de 30 km. Há uma estrutura mais amigável para turistas de um dia ou curtos períodos, localizada dentro da Pousada Cânyon do Guartelá, acessável a partir da cidade de Castro, por estradas vicinais de terra (30 km), que conduzem ao interior do cânyon. Nesta perspectiva de baixo, talvez estejam as atrações mais interessantes para os amantes da natureza, assim como os apreciadores de ambientes místicos. É possível uma visita para passar o dia, a 30 reais por pessoa. Uma diária em apartamento duplo sai por 180 reais. Uma cabana em pirâmide sai por 240 reais. O custo médio de uma refeição é de 30 reais por pessoa, fora as bebidas. 
http://www.pousadadocanyonguartela.com.br/




sábado, 12 de dezembro de 2015

Resumo da semana: Cristina, a raínha louca



O ÚLTIMO TANGO DE CRISTINA 
Cristina Kirchner já vai tarde. Mas promete colocar fogo no país. Você já andou ouvindo uma promessa assim por aqui mesmo, não faz muito tempo. É da mesma banda política. Na Argentina, como aqui, este tipo de bravata é feita pelos militantes de rua de um grupo de políticos, que se autodenominaram "bolivarianos", em homenagem ao novo socialismo venezuelano, agora também morimbundo.
Cristina foi entusiasticamente apoiada por este grupo. Toda semana havia um ou dois de seus principais líderes, a fazer campanha para o pupilo de Cristina. Lula e Dilma (Brasil), Correa (Equador), Morales (Bolívia), Pepe Mujica (Uruguai) e representantes de Chávez-Maduro (Venezuela) foram pessoalmente prestar apoio. Não resolveu. Ainda bem. O povo argentino os repudiou. Mas, Cristina não se entrega. Promete voltar com tudo em 2019. Todos os que vão perder os cargos, os aparelhos instalados dentro do Estado, prometem o incêndio anunciado. Greves selvagens, ocupação de instalações públicas e privadas, violência política, a velha receita da esquerda "revolucionária". O laboratório argentino nestes anos vindouros servirá de prova para o resto da América Latina.
Além do prometido incêndio, Cristina protagoniza um dos piores estilos de tango, aquele em que a dama do cabaré é uma velha senhora decadente. Mauricio Macri, o presidente que tomou posse esta semana, reclamou que a velha senhora não queria discutir transição, mas, apenas as cerimônias de passagem do governo, onde ela fazia questão de uma participação destacada para ela e seus longos "cabellos negros". Não tendo conseguido, boicotou a cerimônia de transmissão do governo ao sucessor.
Outro exemplo claro da falta de republicanismo de Cristina e seus companheiros deu-se com a delegação argentina à Conferência do Clima, em Paris. A política ambiental de Cristina e a proposta por Macri são completamente diferentes, mas, mesmo assim, ela mandou a Paris apenas os representantes de sua posição. Sequer consultou o novo mandatário sobre o que ele pensava, para incluir entre seus "emissários" pelo menos um que representasse o pensamento do novo governo. Então, ficamos com uma delegação argentina "com data vencida". Não satisfeita em encenar o Tango caseiro, tomou conta também do seu Tango em Paris.
O primeiro a romper a corda do isolamento proposto por Cristina foi o próprio candidato do governo, Daniel Scioli, derrotado por Macri. Ambos se encontraram no Palácio da Praza de Maio, para discutir questões práticas da crise na qual Cristina Kirchner meteu o país. Ela deve ter tropeçado nas próprias tamancas em Rio Gallegos, Patagônia, onde se recolheu após boicotar a posse de seu sucessor.

BANDIDOS FOGEM ANTES DA POSSE DO SUCESSOR 
Em minha longa vida de observador da política, vi dois governantes derrotados não comparecerem à transmissão do cargo ao sucessor. Os dois casos são de governadores do Paraná, um dos anos 50, Moisés Lupión, que se mandou para o exterior. Dizem que os sinos da catedral da Praça Tiradentes badalavam "Lupión, Ladron... Lupión, Ladron".
O segundo foi Jaime Lerner, que tinha feito tanta caca que já se considerava praticamente preso, assim que passasse o mandato a Roberto Requião. Na véspera, ele embarcou para Moscou, de onde não poderia ser extraditado. Depois, voltou com o rabo entre as pernas. Ele não sabia que Requião continuaria o festival de cacas.

A ÉTICA PARLAMENTAR DE ZECA DO PT
Sabe por que o Lula não gosta do Delcídio? A ponto de mandar o PT boicotar o senador? Por causa do ex governador Zeca do PT, companheiro de pescarias de Lula...
Zeca do PT veio da base. Comeu o pão que o diabo amassou! Até que em 1998 foi eleito governador do Estado, depois de uma longa carreira amassando barro em Campo Grande (MS), sindicalista dos bancários,fundador do PT, deputado estadual e finalmente governador duas vezes.
Delcídio foi diretor da Petrobrás no período FHC, onde foi ativo militante pela construção do gasoduto que traz gás da Bolívia. Em 2002, já estava filiado ao PT, pelo qual disputou uma cadeira ao senado. Naquele ano, Delcídio teve que ganhar a eleição sozinho, por que foi boicotado de todas as formas pelo Zeca do PT. Provavelmente a razão desta rejeição foi puro preconceito, em razão da classe social de Delcídio, pertencente à burguesia sul matogrossense de Corumbá.
Como bom sindicalista, Zeca do PT aprendeu cedo que agência bancária se fecha é na porrada. Piquete selvagem, se necessário. Foi esta "expertise" que ele usou para quebrar as urnas eletrônicas do plenário da câmara dos deputados, no dia da votação da comissão de impeachment. Mas, ele pode ficar tranquilo, por que a maioria governista não vai deixar que abram contra ele um processo no Conselho de Ética.

QUE PODER TEM ESSE EDUARDO CUNHA !!!
Eduardo Cunha é um gangster competente, não há duvida. Pela segunda semana consecutiva ele impede que se instale no Conselho de Ética um processo por quebra de decoro, que pode levá-lo a perder o mandato de deputado federal, junto com a própria presidência da casa. 
Ontem, foi mais um dia de troca de agressões verbais, seguida por socos e empurrões, que interromperam a sessão do dia no Conselho, que tentava pela undécima vez encaminhar um relatório sobre a admissibilidade do processo, após o que o senhor Cunha poderá ser chamado de "acusado" de ter mentido ao parlamento sobre o imbroglio "contas na suíça". Por enquanto, ele não é formalmente acusado de nada. 
O que mais intriga ao eleitor comum, é a curiosidade em saber como Eduardo Cunha acumulou tanto poder de atuação nos bastidores. Há dez dias atrás, os dois brigões de ontem votavam a favor dele. Primeiro para impedir que se instalasse a plenária do Conselho, negando-lhe quórum. Depois para ajudar exatamente neste jogo de empurra, adiando ao máximo o processo. Zé Geraldo (PT-AC), um dos brigões é o folclórico deputado petista, que se defendia de estar a serviço de Cunha alegando cumprir ordens partidárias, emitidas claramente e com todas as cores vermelhas aguerridas do presidente do PT, Rui Falcão, e do ministro da casa civil, Jacques Wagner.
Depois do escândalo, um Zé Geraldo calmo e sereno dava entrevista no plenário principal da câmara, dizendo que Eduardo Cunha havia alcançado seu objetivo estratégico. Só não completou a informação, de que tal sucesso deveu-se em parte ao auxílio luxuoso da participação, muito pouco ética, de sua excelência Zé Geraldo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

PODER MILITAR, DEMOCRACIA E GOLPE.



Os pelegos sindicalistas do PTB de Jango, migraram todos para a ARENA do novo regime militar


Não precisamos lembrar os tempos que antecederam o golpe militar de 1964, por muitos também chamado de Revolução. O país vivia momentos de tensão, de um lado os que apoiavam o governo João Goulart, basicamente os militantes do movimento popular da cidade e do campo,  apoiados por intelectuais de esquerda, e de outro os chamados conservadores, constituídos por forças da Igreja e da burguesia nacional e internacional. Um componente peculiar, a “guerra fria”, dava um cenário mais marcado no tempo, com a possível interferência dos Estados Unidos, ante a alegada orientação socialista do governo Jango, o que em tese favoreceria o outro lado, o soviético. Uma dessas bobagens históricas que sobram para as novas gerações pagarem as contas.  
Nas vésperas do golpe, Darci Ribeiro e outros governistas proclamavam de suas tribunas o brado de que “golpistas não passarão”, tais quais as UNE-CUT-MST de hoje, que o fazem em relação a Dilma. Dado o golpe militar, todos fugiram para os aeroportos ou se esconderam na clandestinidade. Não há resistência civil, mesmo armada, que se contraponha à ação militar organizada. O único cuidado dos militares golpistas foi garantir a unidade das três forças em todo o país. Por isso, diante de uma desconfiança de que o Terceiro Exército (RS) pudesse apoiar Jango, simularam uma operação teste, mandando o General Mourão marchar de seu quartel em Juiz de Fora (MG) para o Rio de Janeiro, com o propósito de cercar o Palácio Guanabara, onde o presidente da república costumava despachar. Não havendo reação, consolidou-se o golpe, ou revolução, como queiram, a mim não importam os rótulos.

Hoje, no Brasil, temos uma falta daquela perspectiva política. Não é o mesmo ambiente de 1964, onde as “reformas de base” propostas pelo governo Jango eram questionadas por uma aterrorizada classe média, preocupada com seus privilégios. O que temos hoje é uma recessão em andamento, com perspectivas de piorar ainda mais, onde um governo constituído em torno do PT e suas alianças exóticas enfrenta sua crise existencial.  Ela é de natureza fundamentalmente econômica, decorrente do modelo de governança estabelecido no país. A solução não vai ser fácil e depende de muitas variáveis, de modo que o cidadão pode ir tirando o cavalinho da chuva e convencer-se de que vai ter que apelar para muito trabalho e paciência, como pede a “presidenta”.



Contra o atual governo liderado pelo PT, impropriamente chamado de "comunista",
articulam-se vários grupos, pedindo nova intervenção militar. 


Ao mesmo tempo, e diante da falta de saídas institucionais, há um apelo para o exemplo de 1964. Ou seja, salvar o país pela INTERVENÇÃO MILITAR. Até dizem que isso seria constitucional, não sei dizer se procede ou não, tampouco estou interessado na questão acadêmica do direito constitucional.  Segundo minha análise pessoal, nós cidadãos temos que dar conta de nossas responsabilidades, sem apelar para intervenções de qualquer ordem. Nosso regime é o democrático e republicano, portanto, as forças em atuação na sociedade civil deveriam ser suficientes para resolver as crises institucionais. Se a cada crise apelarmos para a poderosidade armada, seremos sempre a república de bananas folclórica que nos caracterizam como tal no hemisfério norte.

Tenho notado apelos pelo “GOLPE” vindos de diferentes fontes. Uma é a civil de orientação politicamente centrada no fascismo, autoritarismo e até nazismo. São as entidades e pessoas que atuam nas redes sociais, onde eu percebo que elas têm bastante visibilidade. Outra são os militares, especialmente os retirados para a reserva, agregados em torno do Clube Militar do Rio de Janeiro. Tradicionalmente este clube é dirigido por generais da reserva do exército e, por serem da reserva, sua importância se iguala a importância de qualquer segmento social, sem qualquer privilégio em particular. A terceira e mais importante influência na pregação pelo golpe militar vem dos comandantes de tropa. São oficiais generais ou de alto comando, geralmente jovens, que apregoam a falência do atual regime democrático. O maior exemplo deste modelo foi o general Mourão, que não se perca pelo nome, comandante militar do Sul, com sede em Porto Alegre, onde ele fazia suas pregações anti governistas em reuniões públicas. Tampouco tomou qualquer atitude diante de um subordinado seu, que promoveu homenagem póstuma a um notório torturador do DOI-CODI durante o regime militar. Em boa hora, este general comandante foi transferido para uma função burocrática em Brasília, longe do comando de tropas. Teria sido uma atitude de equilíbrio, segundo meu julgamento, pois a alternativa mais radical seria prendê-lo. Decorrente deste fato, os movimentos que pedem a intervenção militar, que não são poucos, ocupam as redes sociais a ofender os comandos militares. Estes, mantém uma coerência de prática e ordem estritamente militar. Recentemente, foi substituído o comandante em chefe das Forças Armadas, uma espécie de articulador das três forças. Pois o tal movimento clandestino pela Intervenção Militar debitou isso à fragilidade dos comandos, frente a um suposto complô comunista formado pela presidente Dilma e o ministro da defesa, Aldo Rebello, militante do PCdoB. Ocorre que o posto era reivindicado pelas três forças e, em torno dele tinham formado um acordo, segundo o qual haveria rodízio no seu preenchimento.  Então, a substituição teria sido algo perfeitamente normal e aceitável pelas três armas. Exemplos assim, nos alertam para o perigo de um golpe real. Ora, um país democrático precisa minimamente de uma coisa chamada ORDEM.   A ordem não é necessariamente reacionária, como costumam pregar os comunistas e anarquistas. Aliás, assim que assumem o poder, a primeira coisa que os comunistas implantam é a ORDEM ABSOLUTA, através da leninista “ditadura do proletariado”.





NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR


Militância do PCdoB chama de GOLPE o impeachment de Dilma

Acabamos de acompanhar no congresso nacional um interessante debate político, mostrando que o Brasil está insolvente, ou seja, a diferença entre o que o governo federal gasta e o que arrecada está mostrando um rombo de 120 bilhões de reais. A “presidenta” precisava aprovar uma espécie de autorização formal para o rombo, como forma de se prevenir contra eventuais processos por irresponsabilidade fiscal e administrativa.  Não foi difícil conseguir o que queria, diante de um congresso dócil e domesticado à custa de verbas federais, para suas excelências aplicarem em suas bases eleitorais, verbas, aliás, já incluídas no dito cujo déficit nominal. Se não há dinheiro corrente para cobrir as despesas, todos os governos do mundo, os bons, os maus e os feios, sempre apelam para o mesmo recurso: emprestar dinheiro de quem tem, no caso, os investidores nacionais e internacionais. Para isso se lançam “títulos da dívida”, pagando os juros necessários para atrair estes investidores. No momento, estes juros estão em cerca de 15% ao ano, o maior entre os países do chamado BRICS e certamente um dos maiores da economia mundial. Para efeito de comparação, os Estados Unidos lançam títulos públicos pagando taxas de 0,25% ao ano.  O resultado dos desequilíbrios acumulados ao longo dos anos é o aumento da dívida pública. Para 2015 os economistas do próprio governo estão projetando uma dívida total em torno de 2,7 trilhões de reais, a quarta maior do mundo, em relação ao Produto Interno Bruto.  Mais de 20% deste total vence nos próximos doze meses.

A realidade, pois, é muito diferente daquela mostrada nos programas eleitorais do ano passado, quando o marqueteiro de Dilma Roussef convencia o eleitorado de que o país não tinha nenhuma crise e não precisava de ajuste nenhum. Eles ainda ameaçavam que, caso algum candidato da oposição vencesse, os trabalhadores perderiam as “conquistas” da última década e o país mergulharia no retrocesso. Pois bem, ganharam as eleições. Nem bem as urnas eletrônicas tinham se esfriado e a mesma “presidenta” otimista anunciava um tempo de aperto monetário. Uma nova equipe econômica, providenciada para substituir o “gastador” Guido Mantega, anunciou na entrada do ano que o país teria um superávit de 55 bilhões de reais. Provavelmente esqueceram de “combinar com os russos”, parafraseando a deliciosa piada de Mané Garrincha, contando que o treinador lhe pedia que invadisse a área russa, driblasse dois ou três zagueiros, puxasse a bola para a direita e a lançasse na cabeça de Pelé, que entraria pelo centro da grande área. “Então, o senhor já combinou isso tudo com os russos?”.  



O movimento de combate à reforma educacional em São Paulo ocupa as ruas


Ao lado da crise econômica, corre solta a crise política. O governo liderado pelos petistas nunca fez do ato de governar uma questão política. Sempre obteve apoio comprando votos no parlamento, imitando todos os demais governos pós ditadura militar, incluindo o de FHC. O primeiro escândalo do governo Lula, não por acaso foi o famoso Mensalão, onde se pagava propina mensal garantida a uma base de parlamentares que votavam o que o governo pedia. Nada se discutia, nada se questionava. Fernando Gabeira, deputado do PT no primeiro governo Lula, conta que o líder da bancada, um tal “Professor Luisinho” chegava com a pauta de votações na Câmara federal e dizia qual era a posição que o partido deveria apoiar. Quando questionado que um ou outro assunto não tinha sido previamente debatido com os deputados da bancada, o líder encerrava o assunto com uma sentença bruta: “Não tem nada que discutir, é só votar”.  Esse comportamento gerou um vício permanente: os parlamentares só apoiam os projetos do governo em troca de vantagens pessoais. Foi assim a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara no início do ano. O candidato do PT perdeu a eleição, mesmo o governo tendo maioria folgada no plenário. Os deputados apostaram que elegendo Cunha, teriam maior poder de pressão sobre o “caixa” do governo e conseguiriam melhores verbas. Cunha também pensava assim e aumentou a pressão. Ganhou ministérios e centenas de cargos, mas, qual um viciado convicto, nunca estava satisfeito, querendo sempre mais. Para atender a insaciável demanda de seus aliados, já não bastam os 39 ministérios, absurdo completo em termos administrativos, uma vez que a boa técnica de gestão ensina que um mesmo dirigente, não pode ter sob sua tutela direta mais do que nove subordinados. Os 39 subordinados diretos de Dilma nunca foram por ela reunidos. Neste semana, diante da crise do requerimento de impeachment, para mostrar união do governo, ela reuniu 23 ministros em torno de uma mesma mesa. Ficaram faltando quantos da “equipe” ? Dezesseis.

Segundo a filosofia da velha China, crise e oportunidade são dois lados da mesma moeda. Sendo assim, toda crise tem um lado bom, que aponta a necessidade de mudanças estruturais e táticas. Uma boa saída para a crise econômica e política brasileira, numa perspectiva de longo prazo, seria juntar as forças do país em torno de um programa de governo, a ser construído em conjunto pela sociedade, visto que o sacrifício da população será necessariamente grande. Num cenário assim, se pressupõe que os governantes também deveriam fazer algum esforço, certo? Errado. Está aí o governo desesperado para aumentar impostos. Mas, não consegue cortar suas despesas, inclusive a que compra parlamentares. A presidente leva uma delegação de 180 pessoas a participar da conferência internacional sobre o Clima, em Paris, e ela própria e sua assessoria direta ficam num dos hotéis mais caros do mundo, com diárias de 70 mil reais por suíte. Ao voltar ao país, para debelar sua crise fiscal e política, pede aos cidadãos brasileiros mais sacrifícios. Vem o líder do governo à público defender a proposta de um novo imposto, a CPMF, e diz com a maior cara de inocente “não é muito o que estamos pedindo”.  O cidadão comum só pode ter uma resposta na ponta da língua: “Por que não vai pedir para a senhora sua mãe?”.

Como sabemos, a base de apoio do governo possui vários segmentos. De novo, o PT desistiu de fazer política e juntou no seu entorno qualquer tipo de agente apoiador, sem perguntar se tem alguma identidade com o projeto e a história do Partido. Igualou-se a José Sarney, cujo único papel importante foi o de ser guardião dos interesses militares na transição para a democracia. E parodiou o velho Leonel Brizola, que aceitava qualquer bandido em seu partido, sob o argumento um tanto infantil de que “todos são bem vindos, desde que ajudem a empurrar este caminhão”. Além de suas alianças políticas herdadas dos velhos pelegos da ditadura militar, o PT abriu espaço para a nova direita, composta tanto pelo moderno capital financeiro como pelos atrasados oligarcas do campo, representados pelos folclóricos “coronéis” nordestinos. Brilhando como auxílio luxuoso no campo da direita, atua com garbo o agro-negócio, para o qual foi entregue o Ministério da Agricultura. No entanto, este governo é capaz de colocar sob o mesmo guarda chuva, as militâncias de ultra esquerda, que ainda professam um certo espírito socialista “revolucionário” dos anos 60. Ao lado do agro-negócio, estamos vendo os vermelhinhos do MST, apoiando o mesmo governo. Seria a sonhada “paz no campo”? Não é o que diz a realidade. A matança de bois, com requintes de crueldade e selvageria, perpetrada pelos vermelhos recentemente em fazendas do Pará, mostra que os dois segmentos continuam inimigos mortais. Completando a militância de rua, na qual os partidos PT e PCdoB detém inquestionável expertise, estão os estudantes secundaristas e universitários, onde o PCdoB,  em especial,  possui enorme influência. É dele a liderança das manifestações violentas ocorridas em São Paulo, contra a nova política educacional do governo do estado. Para lá foram deslocados militantes do país inteiro, atuando na desestabilização política do governo do PSDB, com vistas às próximas eleições. No front trabalhista, a CUT se coloca ostensivamente a favor do governo, uma atitude pouco comum a sindicatos de trabalhadores. Nem nos regimes soviéticos isso era a prática usual, dado que sindicatos sempre estão confrontando posições de governo. No Brasil do PT, conseguiram o milagre do presidente da CUT ameaçar a oposição com “luta armada”, caso fosse necessária para defender Dilma. De novo agora, com a ameaça de abertura do processo de impeachment, um recurso legal e perfeitamente constitucional, estes grupos de militantes ostensivos ameaçam com manifestações de rua, prometendo “colocar fogo no país” contra o que eles chamam de “golpismo”.  

Assim, o país caminha para um confronto de dimensões não sabidas, talvez próximo ao modelo bolivariano da Venezuela. As perspectivas econômicas são as piores possíveis e alguns especialistas preveem algo como uma década de apertos e recessão. Em dois anos o país já perdeu 4% de seu PIB e para o próximo ano se prevê uma queda de mais 3%. A tendência é o incremento da crise, com o fenômeno terrível da estagflação: estagnação econômica com inflação. É o pior mundo possível, com destruição do poder de compra da população, aumento da violência urbana e rural, destruição da indústria e infra estrutura, etc.  Cada vez torna-se mais difícil uma saída negociada. Principalmente por que o governo parece confiar no potencial de seus militantes de rua: colocar fogo no país. Nos queimaremos todos na fogueira da insensatez.