sexta-feira, 23 de outubro de 2015

JESUÍTAS, a verdadeira conquista do paraíso.



"MISSÕES JESUÍTICAS" na América do Sul


Provável território da República Guarani, tido como projeto de estado teocrático da Companhia de Jesus



A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como Jesuítas, foi fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo religioso espanhol com origens entre a nobreza do País Basco, Ignácio de Loyola. Além de ordem religiosa, consta que ela foi pensada também como instituição militar, daí o nome pouco comum para uma Ordem católica romana. Um dos projetos do hoje Santo Ignácio, teria sido a proposta de uma nova Cruzada em direção à Jerusalém, o que fez o Papa Clemente VII tremer nas bases. Tratou rapidamente de convencer os jovens e valentes padres a se engajarem em coisas mais convencionais, como as descobertas de novas terras, projeto dos reinos católicos de Portugal e Espanha. Terras de além mar, onde havia muita gente a ser convertida.  

Em 1599 os Jesuítas chegam a Córdoba, Argentina, onde dão início a um sistema único na América Espanhola, destinado a gerenciar um complexo projeto baseado em três alicerces:

1) A montagem de um sistema educacional de alta performance, destinado a formação da elite colonial, assim como de manutenção da população agregada aos valores religiosos católicos. Já em 1608 começavam as obras para construção da chamada Manzana Jesuítica no centro da cidade de Córdoba. Em 1613 era inaugurada a Universidade de Córdoba, a segunda da América Latina, depois da primeira em Lima, Peru, esta construída pela própria coroa espanhola. Para se ter uma ideia, a primeira "universidade" do Brasil, também construída pelos Jesuítas, na Bahia, só seria inaugurada como tal quase cem anos depois.

2) O estabelecimento de estâncias de produção agro-pastoril, para sustentação econômica da Ordem e sua missão evangelizadora. Ao longo do século e meio de permanência na região, a Ordem implementaria uma rede majestosa destes empreendimentos, a saber: Caroya (1616), Jesús María (1618), Santa Catalina (1622), Alta Gracia (1643), La Candelaria (1678) e San Ignacio (1725). Nestas estâncias, utilizava-se mão de obra escrava negra, que os Jesuítas negociavam com os estancieiros do Rio Grande do Sul e Uruguai, em troca de mulas para transporte de cargas, inclusive as que foram utilizadas na rota Viamão-Sorocaba. 

3) Evangelização, alfabetização em guarani/espanhol e colonização dos índios Guaranis, espalhados pelo território que abrange os rios Paraguay, Paraná e Uruguay. No longo projeto de mais ou menos 150 anos, foram criadas 30 Reduções Jesuíticas, ou Missões, com o propósito de evangelizar, formar e organizar os índios. Ao longo de dez anos, os Jesuítas se prepararam em Córdoba, onde estudaram a cultura, religião e costumes guaranis, aprenderam a língua e verteram o Guarani para a escrita no alfabeto latino. Calcula-se que por volta de 1750, existiam cem mil índios vinculados às missões jesuíticas, um potencial exército bastante considerável, em perfeita saúde e juventude.   
  1.                                         
 "Ad maiorem Dei gloriam", lema dos Jesuítas. Para a maior glória de Deus. 
Portugal, como sabemos, não cumpriu o tratado que havia assinado com os reis católicos da Espanha (Tordesilhas, 1494), e passou a forçar sua expansão para o interior do continente, em busca de novos territórios, além do litoral brasileiro, que era o único que lhe cabia,  de acordo com o Tratado. Nesta empreitada, utilizava os Bandeirantes paulistas, com a desculpa de que precisava de mão de obra escrava. Na verdade, muitos historiadores consideram que o motivo real das invasões era mesmo a expansão territorial, pois os índios não serviam para escravos, preferiam morrer a se submeterem ao trabalho forçado. Ou seja: só davam prejuízo. Quando os portugueses conseguiam invadir uma Missão e aprisionar os índios, estes não resistiam às agruras e tristezas da viagem para São Paulo e acabavam morrendo pelo caminho. 




Os Jesuítas se armavam como podiam para defender as reduções, ou seja: com paus e pedras. Reclamavam para seus conterrâneos espanhóis, mas, não recebiam apoio, seja por que os Castelhanos estavam envolvidos em outros conflitos, seja por que a eles não interessava fortalecer o projeto Jesuítico. 


Aqui entra a suposição de que a Companhia de Jesus, a partir de um certo ponto de saturação, começou a pensar num Estado independente da Espanha, teocrático e comandado por eles, a ser implementado na região dos índios guaranis convertidos. Verdadeira ou não a hipótese, o caso é que o maioral da Companhia, em Roma, dirigiu-se ao Papa Clemente XIV pedindo autorização para comprar armas em grande quantidade. Talvez tenha sido esta a ingênua subordinação Jesuítica à hierarquia católica, o que a levou a ser expulsa das terras da América pela Espanha em 1767, tendo seus bens sequestrados e divididos entre outras ordens religiosas. Já haviam sido expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal no ano de 1759.  

Para confirmar o primor com que os Jesuítas encaravam o projeto das Missões,
trouxeram artesãos italianos que haviam decorado o Vaticano

Nos dias atuais, os Jesuítas continuam fortemente ligados ao segmento educacional, com cerca de 15 mil padres ativos e 3 mil em formação. Em março de 2013, o arcebispo de Buenos Aires, o Jesuíta Jorge Mario Bergoglio, tornou-se o sumo pontífice da Igreja Católica Romana. Curiosamente, por razões que não explicou, adota o nome de Francisco. Não se sabe sequer se ele quis homenagear a São Francisco de Assis ou de Xavier. Nenhum deles tem a ver com a ordem dos Jesuítas.

MISSÃO SAN IGNACIO 
Havia duas missões chamadas San Ignácio, as primeiras que foram construídas pelos Jesuítas, assim que chegaram na colônia, pelo início dos anos 1600.

A maior, denominada GUASSU, ficava na região de Guaira, divisa atual entre Paraná, Paraguay e Mato Grosso do Sul. Foi completamente destruída pelos Bandeirantes paulistas. Após esta tragédia militar e histórica, os vândalos através dos séculos se encarregaram de apagar os sinais de sua memória. Hoje o povo simples de Guaira, de ambos os lados, sequer sabe de sua existência no passado distante. Não restam quaisquer vestígios dessa primeira experiência. 


Quando sucumbiu a Missão ante os Bandeirantes, os Jesuítas ainda tentaram salvar os moradores, levando-os em canoas rio abaixo, com a intenção de instalar os remanescentes na região de Posadas. Poucos dos 12 mil guaranis embarcados chegaram ao destino, quase 500 quilômetros rio abaixo. A maioria ficou pela região das Cataratas do Iguaçu, outros morreram na viagem e outros se infiltraram na mata, voltando ao estado selvagem de antes.


















Quanto à Missão denominada SAN IGNACIO MINI, foi melhor preservada dos ataques portugueses, primeiro em razão da própria distância de São Paulo, depois, pela defesa eficiente armada pelos padres Jesuítas, mais perto da sede da congregação em Córdoba e melhor preparados militarmente.  SAN IGNACIO MINI ficou entregue ao tempo por mais de 150 anos, depois da expulsão dos Jesuítas em 1767, até 1948, quando o governo argentino iniciou os trabalhos de recuperação das ruínas.



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mundos para além do visível - PARTE 4 - CORPO, ALMA E ESPÍRITO






Nos conceitos teológicos dos Católicos, ALMA e ESPÍRITO são a mesma coisa, apesar de várias citações bíblicas colocarem isso em dúvida, como na frase de São Paulo: “a palavra de Deus é viva e tão penetrante ... que chega até a separação da alma e do espírito” (Hebreus. 4, 12). Parece que os católicos acreditam que a Alma é julgada por algum tribunal celestial, assim que o seu proprietário expele o último suspiro, e, de acordo com esse julgamento, pode ter tres destinos imediatos e irrecorríveis: a) Foi vista sem pecados capitais e suas boas ações superaram as más,  e por isso vai direto para o céu; b) Foi julgada em pecado mortal e por isso vai direto para o inferno; e c) Foi considerada numa situação intermediária, sendo possível sua recuperação num espaço chamado Purgatório, até o julgamento final da humanidade, com a volta de Jesus Cristo. 

É líquido e certo que neste universo católico, a Reencarnação está fora de cogitação. Ainda para algumas outras igrejas do ramo judaico-cristão, para além do Físico só existe o Espírito, e a palavra Alma como usada na bíblia, foi mal traduzida do grego para o latim. 

Assim, as várias religiões possuem diferentes conceitos, não só de Corpo, Alma e Espírito, mas também de vários dogmas e livros sagrados, como a "bíblia" dos cristãos, a "tanack (ou tora)" dos judeus, o "alcorão" dos islâmicos, o "Baghavad Gita" dos budistas indianos, o "código de ética do homem sábio: ANALETOS", do budismo chinês, etc. 

Ao homem religioso não convém "fazer pouco" das crenças ou tradições alheias, algo que não é lá tão respeitado como conceito ético da prática religiosa. O que vemos mais comumente é a disputa de espaço pelas várias tendências, cada qual tentando obter melhor e maior fatia do "mercado" e consolidar seu poder de influência. Não é por outra razão que várias igrejas mandam seus "missionários" a pregar em terras estranhas. Alguns, como os jesuítas católicos no século XVI ou missionários evangélicos na África atual,  pagam com o sacrifício da própria vida.  Tudo para "expandir a fé", sempre em nome de "deus". 


O Estado Islâmico é um exemplo atual de intolerância religiosa

As cruzadas cristãs da Idade Média levavam terror e morte aos povos islâmicos


O místico teosofista Arthur E. Powel (1882-1969), já no século XX escreveu e compilou material oriundo de várias fontes religiosas, dando continuidade ao trabalho de Helena Blavatsky, Charles Webster Leadbeater e Annie Besant. Uma de suas obras fundamentais foi a coleção de quatro volumes sobre os planos que definem a Personalidade do ser humano, corpos estes aos quais ele denominou Físico, Etérico, Astral e Mental. Um quinto volume trata do Plano Causal (que muitos chamam de Mental Superior ou Mental Puro), a primeira camada da Tríade Espiritual.






Para os seguidores da Teosofia, o ser humano está dividido em sete planos (ou corpos). Os quatro mais próximos do plano físico, que formam a sua Personalidade; e os tres superiores que formam sua Tríade Espiritual Individual. Dos corpos inerentes à Personalidade, os dois primeiros (FÍSICO e ETÉRICO) desaparecem com a morte do corpo físico. Os dois seguintes (ASTRAL E MENTAL) correspondem a ALMA e passam vida após vida com suas essências preservadas, afim de serem transferidas para a Personalidade da nova Encarnação. Assim, de vida em vida, a Alma é mantida viva em seus aspectos essenciais e vai acumulando experiências e conhecimentos (ou, ao contrário, pode ir se depreciando) conforme o Karma de cada encarnação vivenciada pelo mesmo Indivíduo. Até que chega-se a um ponto em que uma nova encarnação não seja mais necessária, por se ter atingido para aquele Indivíduo espiritual o estado de iluminação, que representa o nível mais alto que uma determinada Alma poderia atingir em sua experiência humana. Neste ponto, a Alma também é dispensada, seguindo-se daí para a experiência espiritual propriamente dita, a partir dos planos Mental Puro (ou Causal),  Búdico (ou a Essência Espiritual) e Átmico (ou Monástico). 

Um dos estudos compilados por Arthur E. Powel, juntando sua observação pessoal dos planos "não físicos",  descreve o intervalo de tempo padrão entre uma Encarnação e outra, ou seja, o tempo em que o Indivíduo passa nos planos Astral e Mental. Ele estabelece este intervalo entre vidas encarnadas, de acordo  com uma previsão de escala evolutiva espiritual.

SERES ADIANTADOS, que se encontram em fase próxima do estado de iluminação,  possuem bastante liberdade para escolher o tempo que podem ficar desencarnados. Há os que optam por reencarnar continuamente e sem intervalos significativos, com o propósito de ajudar a evolução da humanidade estando presentes no plano físico, assim como há os que escolhem ficar longo tempo nos mundos Astral e Mental, podendo parte deste tempo viver no Plano Causal, o mais elevado que uma Alma pode atingir.   Normalmente seres deste nível ficam até 2000 anos desencarnados, incluindo um período de até 200 anos no Plano Causal.   

Entre essa classe superior e a mais baixa, caracterizando o intervalo entre as duas condições extremas, o autor fala de outras seis variações de evolução espiritual, tai como:
  • seres que se distinguiram nas artes, ciências ou religiões, tendo contribuído sobremaneira para a evolução de outros seres, além das suas próprias (entre 600 e 1 mil anos de intervalo), 
  • seres que praticaram intensamente o amor universal, não só com suas famílias nucleares, mas levando em conta a família humana (500 anos de intervalo), 
  • seres de grande dedicação às suas famílias e que contribuíram no processo de aperfeiçoamento técnico e ético da humanidade (entre 100 e 200 anos de intervalo), 
  • seres que simplesmente cumpriram suas missões na vida (entre 60 e 100 anos de intervalo), 
  • seres no nível de drogados, bêbados e dependentes de outras pessoas, sem dedicação ou esforço pessoal no caminho da evolução, porém  sem prejudicar seriamente outras pessoas (entre 40 e 50 anos de intervalo).  

SERES NO ESTADO MAIS BAIXO DE EVOLUÇÃO ESPIRITUAL ficam o mínimo de tempo possível como desencarnados, apenas o suficiente para serem plasmadas as condições para uma nova encarnação, que já trará consigo o Karma das existências anteriores e as condições de superá-lo. O autor fala de uma média de 5 anos, normalmente vivenciados no baixo nível astral, aquele correspondente ao Umbral dos espiritistas ou o Limbo Astral dos teosofistas. 

Independente de acreditarmos ou não nas informações listadas acima, parece que a maioria das Igrejas, incluindo muitas cristãs, admitem que a estrutura Corpo-Alma-Espírito é aquela concebida e idealizada por Deus para as tres expressões do Ser Humano, nos planos do tempo e espaço Mortal, Anímico e Eterno. 



  



Eu, de minha parte, além de tentar praticar uma religiosidade não discriminatória, aprendi com a filosofia que um dos fundamentos do Ser Humano é desenvolver sua capacidade de se auto-governar e se aperfeiçoar, no sentido de ajudar na construção de uma humanidade melhor. E que para esse objetivo civilizatório, é importante que tenhamos seres humanos melhores atuando no mundo real, começando primeiro conosco mesmo. Sem dúvida que, se entrarmos no campo da disputa religiosa, não estaremos contribuindo nem um pouco para esse objetivo maior, representado por uma vida baseada na cortesia, na convivência eclética e na concórdia.