domingo, 31 de julho de 2016

Nem tudo que é belo, bom e justo dura para sempre. Tampouco a barbárie é eterna.

Ruínas do Teatro de Éfeso, Grécia.




A REPÚBLICA de Platão é um diálogo suposto entre Sócrates (então já falecido) e dois irmãos mais velhos do próprio Platão, o autor da obra, mais alguns personagens circunstanciais.  É o Diálogo mais célebre de Platão, com dez grandes capítulos chamados de Livros. Cada um deles é dedicado a um tema principal, embora um seja praticamente continuidade do outro.

O Livro 5 fala especificamente das condições de ascensão para a SOCIEDADE IDEAL. Nele encontramos a DIALÉTICA DA LINHA DIVIDIDA, mostrando que o conhecimento é fundamental para a ascensão em direção ao BEM, ou seja, ao estado de excelência do ponto de vista individual tanto quanto social.


DIALÉTICA DA LINHA DIVIDIDA. 
Do mundo ‘SENSÍVEL’ ao mundo ‘INTELIGÍVEL’
A construção da Cidade Ideal é um longo processo de acumulação de conhecimento. Em sua utopia, Platão apresenta conceitos completamente radicais e revolucionários, tais como a dissolução da família no contexto da classe dos Guardiães, de onde seriam escolhidos os futuros dirigentes do Estado. Haveria controle da natalidade e os casais seriam formados de modo a acasalar os homens e mulheres mais preparados. O mundo do Trabalho seria exercido em condições de igualdade entre homens e mulheres, segundo as aptidões naturais de cada um. O sistema educativo deve ser aprimorado para formar bons trabalhadores, sem distinção de privilégios ou poderes especiais entre as classes. Deve-se incluir a formação que leve ao conhecimento da ideia do BEM como objetivo supremo da Cidade. Sobre o BEM, Sócrates explica o caminho para alcançá-lo, o qual definiu como a Dialética da Linha Dividida.


Tanto o conhecimento quando a verdade são coisas belas. Mas o BEM é distinto deles e os supera em beleza, assim como a visão permite ver a claridade do Sol,  mas não é a Luz. Podemos dizer que a visão é algo solar, por que só é útil junto com a Luz, mas não se confunde com a Luz nem é o Sol.

Assim como o sol confere credibilidade às coisas, através da Luz, a verdade essencial das coisas só é possível através do Conhecimento, caminho formado etapa por etapa a partir da Opinião, passando pela Crença, que pode ser elaborada como Entendimento a partir da Inteligência, até atingir o objetivo maior, que é o BEM. De outro modo, podemos dizer que o CONHECIMENTO é a passagem do mundo das sombras (sensível) para o mundo das ideias (inteligível).

Para Platão, o BEM deveria ser o objetivo supremo de toda Cidade, por que nele estão as essências de todas as coisas, dado que o estado de ignorância decorre da incapacidade de percepção das coisas reais, motivada pelas Trevas e Sombras. O caminho da Ascensão ao mundo do BEM começa com o desenvolvimento de opiniões e conjecturas, que levam à formação das Crenças. Para o esclarecimento da essência das coisas, é necessário acessar o Mundo Inteligível, constituído pelas Ideias e Objetos Matemáticos, que se formam a partir do conhecimento científico aperfeiçoado e testado pela Dialética, ou seja, no confronto desses conceitos complexos com as realidades que os cercam, estará a Verdade.

O BEM é o atributo que confere Verdade às coisas do mundo inteligível, assim como o SOL confere verdade às coisas do mundo sensível. Neste sentido, BEM e SOL são as duas faces de uma mesma coisa, a busca da felicidade. 


Nem tudo que é belo, bom e justo dura para sempre. Tampouco a barbárie é eterna.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

A Sociedade Ideal, na visão de Platão.






A  SOCIEDADE  IDEAL



A REPÚBLICA de Platão é um diálogo suposto entre Sócrates (então já falecido) e dois irmãos mais velhos do próprio Platão, o autor da obra, mais alguns personagens circunstanciais.  É o Diálogo mais célebre de Platão, com dez grandes capítulos chamados de Livros. Cada um deles é dedicado a um tema principal, embora um seja praticamente continuidade do outro.

O Livro 5 fala especificamente das condições de ascensão para a SOCIEDADE IDEAL. 

Durante um debate a respeito do que é a JUSTIÇA, a conclusão a que chegou o personagem Sócrates é que a Justiça se faz quando cada qual executa aquilo que lhe foi confiado pela Sociedade. Segundo esta lógica, ao professor cabe ensinar e ao estudante aprender,  sempre da melhor maneira possível. Conforme a proposição de Platão na divisão em classes,  o artesão produz bens e serviços, o guardião cuida da segurança e da organização da Cidade e aos sábios cabe dirigir e governar. O poder dos governantes deve vir de seu profundo saber, e não de sua posição familiar, ou riquezas acumuladas, ou capacidade de sedução das massas, ou alianças que consegue implementar, etc.  Uma classe especial de dirigentes precisa, pois, de uma educação especial. A este conceito elitista de Platão, o Marxismo gerou uma outra utopia no sentido contrário, de que a classe dos proletários é que deve dirigir a sociedade, extinguindo-se a propriedade dos meios de produção. Entretanto, Platão subverte, mais de dois mil anos antes, a moral conservadora que seria proposta pelo marxismo. Platão imagina a estranha prática que a classe dos dirigentes deveria compartilhar todos os bens materiais e as famílias, incluindo a coletivização dos casais, de mulheres e homens, para terem relações sexuais indiscriminadas e livres, além de compartilharem entre si os filhos que poderiam ser gerados nessas relações. Conceitos assim foram considerados absurdos, já por seus próprios concidadãos e seguidores, incluindo Aristóteles e outros filósofos gregos pós socráticos. 
  
A educação dos Guardiães, de onde serão selecionados os dirigentes, deve ser mais aprofundada do que a dos Artesãos. Aos Guardiães não é permitido ter medo, por exemplo. Também devem ser condicionados a equilibrar e moderar os desejos, incluindo os sexuais. A literatura disponibilizada não deve falar de fracassos nem de derrotas militares. Jamais devem ser contemplados poemas que elogiem personagens maus, coléricos ou demasiado emocionais, para não influenciar a personalidade do futuro Guardião, que deve ser um homem ou mulher equilibrado e digno. A música deve ter papel importante e se deve evitar os cantos fúnebres ou tenebrosos, privilegiando-se composições equilibradas com bom ritmo, harmonia e letras construtivas. De preferência odes elogiosas aos deuses, às boas virtudes como coragem, resistência  e auto-controle, etc. Disciplina e treinamento militar, aliado a regime alimentar e prática da dialética. Os Guardiães também devem ser pobres. “Por terem ouro na alma, não será permitido que o tenham no plano físico”. Segundo Sócrates,  riqueza é origem de muitos defeitos, tais como luxúria,  vícios,  desleixo,  etc..   
As mulheres não devem ser discriminadas em nada. Se, ademais,  forem Guardiãs, devem ser educadas no mesmo nível do homem, apesar de serem intrinsecamente mais fracas. No entanto, algumas atividades e assuntos são tipicamente femininas, como tecelagem e culinária. Na escolha do campo de trabalho, também deve se levar em conta a peculiaridade de procriar e amamentar os filhos.

Os governantes devem zelar para que a Cidade não fique super populosa, mas, também para que não falte população. A melhoria genética deve ser uma preocupação social e, para isso, os acasalamentos devem ser incentivados entre os melhores homens e as melhores mulheres, para a geração de filhos sadios. 
Um dos interlocutores de Sócrates questiona se tal educação não estaria condenando à infelicidade os Guardiães, especialmente aqueles escolhidos para serem dirigentes. A resposta dura e seca é “SIM”. Este é o sacrifício que têm que fazer, em contra partida ao direito de dirigirem a sociedade. 

Perguntado se tudo isso não seria algo irrealizável, Sócrates explana que essa questão é irrelevante. A Cidade Perfeita, antes de existir, deve ser imaginada e planejada, como eles estão a fazer naquele momento. Uma vez concebida a IDEIA da perfeição, cabe à Sociedade buscar as formas de implementá-la da melhor maneira possível.   O ideal seria que FILÓSOFOS fossem os governantes, mas, diante da impossibilidade de assim ser, que se convoquem os homens mais sábios que a Cidade disponha, selecionados entre os melhores Guardiães. Cabe aos dirigentes garantir o processo educacional desde a tenra infância até a idade madura. Assim, cumprindo com seus deveres, todos terminarão seus dias em estado de felicidade, inclusive os Filósofos. 





sábado, 16 de julho de 2016

JAZZ, a verdadeira música da alma.




Cheguei à conclusão que a música deveria ser incluída naquela lista de temas tabus, que nunca deveriam ser discutidos, como a política, o futebol e as mulheres. Estávamos conversando sobre o JAZZ, quando fui surpreendido pela citação de um artigo do grande Walter Smeták, publicado numa edição antiga de um tabloide teosofista de Salvador (BA), onde o mestre dizia que o JAZZ é coisa do diabo.

Primeiro, fiquei chocado com o primarismo do conceito, afinal "deus e o diabo" são dois lados da mesma moeda. Um é a sombra do outro. Nós temos o costume de ver os filhos de Lúcifer como anjos das trevas, mas, na verdade, o próprio significado esotérico da palavra revela seu poder. Lúcifer significa 'estrela da manhã', 'filho da alva', 'o que brilha', 'o que traz luz', ou seja, para os seus anjos, a escuridão estaria justamente do outro lado, o nosso. É um pouco chocante, não? Mas, faz sentido. O mundo até a terceira dimensão é sempre dual. Ou isso, ou aquilo. Quando ascendermos a um nível mais profundo de conhecimento, vamos entender que O TODO, o incontestável, o SOM UNIVERSAL, e todos os nomes pelos quais o CRIADOR SUPREMO é chamado, não pode excluir nada. Por isso nós, que somos projetos de deuses em formação, devemos atingir primeiro a INDIVIDUALIDADE, cujo significado não é o que normalmente as pessoas pensam sobre o individualismo, o isolamento do ego, mas, ao contrário, tornar-se INDIVÍDUO significa ter se tornado INDIVISÍVEL, íntegro, por se ter atingido um nível acima da personalidade dividida, ou seja, ter atingido o nível da Consciência, necessário como primeiro passo para se entrar no universo da Espiritualidade, a tríade superior formada pelo mundo Causal, Búdico e Átmico.

Bueno, feita uma primeira explicação sobre a verdade que o diabo não é tão ruim assim, voltemos ao JAZZ. O estilo surgiu entre 1890 e 1910 nas plantações de algodão às margens do Rio Mississipi, com centro vital em New Orleans. Não é muito fácil para um leigo explicar musicalmente o significado técnico do JAZZ, mas podemos dizer que ele é marcado pela improvisação e os ritmos não lineares, ou seja, é um ritmo essencialmente expressivo da criatividade. O jazz tem suas raízes na música negra americana, a partir dos cantos religiosos que os negros acabaram criando dentro da estrutura das igrejas cristãs, justamente por que os escravos estavam proibidos de entoar seus próprios cânticos tribais. Daí surgiram os Spirituals, a partir do qual teve origem o "Rock and Roll" e o "Blues", do qual o JAZZ foi uma evolução no caminho da sofisticação. De fato, o estilo Blues é utilizado para expressar as emoções duais, alegria ou tristeza, ao passo que o JAZZ É PURA CONTEMPLAÇÃO. Sendo assim, seria a música meditativa por natureza.



Existe um mito que a música JAZZ é incompreensível e difícil. 
Por ser um gênero essencialmente improvisado, há de tudo. 
Inclusive poemas magistralmente musicados e interpretações primorosas 
como esta de Ella Fitzgerald, para esta canção de Dizzy Gillespie.





O JAZZ acomoda qualquer coisa. 
Há Flamencos JAZZ, 
New Age JAZZ, 
Arábian JAZZ
 e, por que não?, Brazilian JAZZ, 
que aliás, estão entre os melhores do mundo.