quinta-feira, 29 de setembro de 2016

"O Ego humano não conhece o Eu Divino".




Huberto Rohden promovia encontros especiais entre seus discípulos, aos quais as igrejas cristãs costumam chamar de "retiros espirituais". Ao abrir um desses encontros, numa semana santa da década de 1970, ele fez uma declaração surpreendente para os padrões da época. "Não viemos aqui para adorar a Deus. Viemos para buscar a nossa independência da escravidão do EGO". Segundo ele, uma vida inteira dedicada à prática religiosa nada significa, se não houver sido criado o grande vazio libertador.

Referia-se à tarefa de matar o escravocrata interno do ser humano, o referido EGO. Adorar um Deus distante e incompreensível não é compatível com esta luta espiritual. Ele recomendava a descoberta pessoal de cada um, em torno do desenvolvimento do seu Deus interno, o Logos, também chamado EU SUPERIOR. E isso só pode ser feito através da intuição. Não será através da inteligência que se vai encontrar o Eu Superior.
Rohden conta que na sua convivência com Albert Eistein, na Universidade de Princeton, EUA, uma ocasião o mestre judeu contou-lhe como descobriu a Teoria da Relatividade, que revolucionou a ciência do século XX. Diz ele que Eistein dava aulas na Universidade de Zurique e se encheu o saco de tanto pensar. Entrou numa espécie de stress, por dedicar-se tanto ao campo mental, e fugiu para o mato, onde passou dois dias sozinho. Voltou de lá com a Teoria da Relatividade completamente pronta em sua cabeça. Disse-lhe o mestre judeu que esta teoria não lhe pertencia, por que lhe foi mostrada pelo poder do grande vazio. Queria referir-se à Meditação.
O Doutor Mikao Issui, o codificador do Reiki, passou décadas pesquisando em monastérios e bibliotecas pelo Japão e China, em busca da explicação para certas curas espirituais que ele observava na prática dos monges budistas. Certa vez, retirou-se sozinho para uma montanha, onde passou 21 dias. De lá voltou com os procedimentos e regras da prática de harmonização e cura energética, à qual deu o nome de Reiki.


O Homem Setenário é um concepção antiga nos escritos hindus. 
Uma das citações preferidas do teólogo Huberto Rohden é esta: "A pior das discórdias, a mais trágica das guerras é o conflito que o homem traz dentro de si mesmo – o conflito entre o ego físico-mental da sua humana personalidade e o Eu Espiritual da sua Divina Individualidade". Isto fecha com o conceito antigo hindu do Homem Setenário, que possui uma parte inferior chamada personalidade, formada pelos campos físico denso, camada energética etérica, corpo astral emocional e mental. Por outro lado, também está conectado a uma parte superior, chamada tríade espiritual, que lhe dá a capacidade de se individualizar na multidão. Esta individualidade espiritual está dividida nos campos Mental Superior, Búdico e Átmico. A conexão entre as duas partes se dá pela Intuição, não pelo pensamento.








SAGRADO VAZIO
Einstein estava ficando louco de tanto pensar
Preparando aulas ou inventando novas teorias
Na libertária universidade de Zurique na Suíça
Enquanto seus parentes na Alemanha
Se preparavam para o pensamento único.
Largou tudo e sumiu no meio do mato
Até chegar às margens do grande lago azul
Entre florestas verdes naquele verão alpino
Naquele país que o recebera tão bem
Sem lhe perguntar se era judeu ou plebeu.
Passou dois dias contemplando o céu de anil
Tomando água dos límpidos ribeirinhos
Comendo cerejas suculentas e maçãs cheirosas
Enquanto esvaziava tudo de dentro de si
E abria espaço para um grande vazio.
Voltou pra casa com a Teoria da Relatividade
Pronta em sua cabeça pensante acadêmica
Mas, ressalvou que a descoberta não era sua
Pois, fora lhe apresentada pela graça divina
Que se acha no Sagrado Vazio da Meditação.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Vozes de Santa Catarina


Vila Rica, a mais bela cidade do ocidente. 


O nome Vozes de Santa Catarina foi dado para identificar o conjunto de cantores dos corais do maestro Robson, à frente o Coral Eletrosul, então em tournée à cidade de Conservatória (RJ) em novembro de 2013. Manu, Macuco, Rosângela, Leinha e outros líderes propuseram outras viagens, inclusive ao festival de corais das Tres Fronteiras, em Foz do Iguaçu no mes de abril de 2015. 

As Vozes de Santa Catarina agora aceitaram o desafio de participar do Festival Internacional de Corais de Minas Gerais, que este ano homenageia Fernando Brandt, o grande poeta das Geraes, autor de inúmeras obras primas da música mineira, falecido precocemente há pouco mais de um ano. Seu compadre, o maestro Lindomar, nos recebeu de braços abertos e com ele fizemos grande amizade. É um figuraço que defende de frente encantada  a música mineira e brasileira autêntica. Foi amor à undécima vista, intuída pela nossa alma brasileira, assim como por toda a entourage familiar do maestro, que inclui seu filho ainda bebê, o neguinho Fernando, de onze meses, que certamente será um grande personagem do meio musical, pois foi concebido, nasceu e vive dentro dele. 

Há várias estradas que adentram Minas Gerais a partir do sul. A maior delas, sem dúvida, é a rodovia Fernão Dias, que liga SP a Belo Horizonte. Mas, o acesso a Poços de Caldas é talvez a mais bela das entradas, ao passar pela paradisíaca Águas da Prata (SP), que produz uma das melhores águas minerais do planeta. Depois, sobe-se uma bela serra e se baixa no vale encantado das termas de Poços de Caldas. Ali é o antigo paraíso dos casais em lua de mel. Só esta herança bendita já enche a cidade de amor e paz. 




Várias fontes de águas medicinais se espalham pela cidade, assim como jardins e matas, cachoeiras e vales, morro que vai a 1800 metros de altitude, para o qual há um teleférico por onde eu já me aventurei em pânico explícito numa viagem passada; e ao qual eu havia prometido nunca mais por os pés. OK, não foi desta vez que rompi a promessa... A grande atração de Poços de Caldas é o Hotel Palace e seu parque, no qual se encontra o edifício das Termas Antonio Carlos, um centro hidro terapêutico de primeira linha, talvez o melhor do país. Infelizmente, como todo serviço público brasileiro, algumas funcionalidades como a Sauna estão temporariamente canceladas. Mas, os banhos de banheira em águas sulfurosas continuam primorosos. 

Em Poços de Caldas não cantamos, mas, em compensação, o que comemos e bebemos de chopp não está escrito nem é bom lembrar...


Termas Antonio Carlos, anexa ao parque do Hotel Palace Poços de Caldas.


SÃO JOÃO DEL REY e TIRADENTES, as duas cidades gêmeas nasceram por volta do ano 1700, resultado da exploração das minas de ouro pela matriz portuguesa. Tiradentes é bem menor e mais tímida do que São João del Rey, mas tem provavelmente a melhor culinária mineira e uma população que mistura caboclos autênticos, burgueses deslumbrados e hippies inspirados. Boa parte da melhor poesia e música mineira é feita aqui. Já São João del Rey é para amadores: da boa música barroca, por exemplo. Sua universidade federal e seu curso superior de música, em conjunto com as ordens católicas na cidade, armazena o maior acervo organizado e documentado de música barroca do planeta. Só quem passou aqui uma Semana Santa é capaz de falar sobre a magia do lugar. Infelizmente, tivemos pouco tempo para aproveitar desta vez. Mas, apenas a visita ao templo de São Francisco valeu por todas as peregrinações que já fiz à Fátima, Compostela, Lourdes, Matosinhos, El Escorial, Pilar, Aparecida, etc. A energia que rola em São João del Rey é indescritível. Voltarei sempre, sem dúvida...





Fizemos uma parada em Congonhas do Campo para visitar as obras finais de Aleijadinho, o grande escultor barroco. Eu já havia visitado a cidade uns 25 anos atrás; e ela já não era um primor de urbanidade. Mas, agora, trata-se de uma tragédia consumada! O próprio santuário, onde estão fechadas à sete chaves as obras do mestre e seus auxiliares (por que senão seriam depredadas e roubadas), converteu-se numa feira de bugigangas de plásticos. Nem é bom falar no assunto. Aliás, é bom  falar da única coisa  boa  além  do santuário, nosso almoço no restaurante Estância Real, uma obra prima da culinária mineira de bom gosto. 





Chegamos em Ouro Preto! 
Melhor apenas recomendar a visita. Em respeitoso silêncio. No entanto, vamos falar de Vila Rica, a antiga capital de Minas Gerais. Trata-se da mais bela cidade barroca do mundo, sem dúvida !  Construída à peso do ouro extraído de suas montanhas, Vila Rica é um museu à céu aberto. Enquanto S.J. del Rey concentra a pureza e a cultura barroca num pequeno relicário católico, Vila Rica expande a luxúria cristã em grandes e suntuosos edifícios. Adivinha-se o nível de sofisticação da sua colonial elite portuguesa pelo luxo das suas moradias e espaços sociais. O teatro onde cantamos, o mais antigo das Américas, é uma autêntica cena de luxo e glamour,  a rivalizar com qualquer ambiente de Lisboa, em menor e adequada proporção, evidentemente. A cidade é difícil de ser aproveitada por gente idosa, devido às suas ladeiras, mas apenas o núcleo central é suficiente para encantar definitivamente o visitante. Tenho uma única certeza absoluta sobre isso: não há nada igual!  



Contrastes. Trânsito e Mansidão. 


Finalmente, chegamos na noite de sábado ao ápice de nossa aventura mineira: o espetáculo de Sabará, uma cidade histórica que foi engolfada pela grande Belo Horizonte. Então, é curioso você passar por áreas degradadas como qualquer grande cidade brasileira, e depois deparar-se com um oásis urbano, como se o tempo e a pilhagem social não tivessem acontecido. No meio da praça, encontrei um banco onde me acostar o cansaço de Ouro Preto. Agora, nos preparávamos para a terceira apresentação do dia, o que para um amador não é nada fácil, ainda mais que tivemos que sustentar por algum tempo o volume do som sem energia elétrica, no ar livre de Ouro Preto. Garganta e cordas vocais comprometidas, eis que se me apresenta um senhorzinho vestido de terno, igual a mim, e diz: "Muito agradecido por o senhor ter vindo até aqui". Eu olhei meio atônito, primeiro para seus olhos e depois para a mulher que estava a seu lado, enquanto pedia explicações com o olhar e apertava a mão do cidadão. Ele esclareceu: "Sou o prefeito municipal". Seu secretário de cultura, segundo vi depois, é Saulo Laranjeira. Só podia ser!



A passagem por Belo Horizonte começou 3 horas da manhã de domingo, depois da apoteose e jantar em Sabará. Às dez da manhã deixamos o hotel em direção à praça central, onde há um grande parque e o Palácio das Artes. Ali, fizemos uma apresentação final. Não vou falar desta emoção, senão já começo a chorar...










domingo, 11 de setembro de 2016

CRISTIANISMO versus CRISTICIDADE. A igreja cooptada.




Cristicidade é a qualidade daquele que carrega a essência da mensagem de Cristo.  Esta é uma palavra criada pelo teólogo espiritualista universal HUBERTO ROHDEN (1893-1981), visando a diferenciação com o significado moderno e trivial do Cristianismo, por considerá-lo exaurido e prejudicado como portador da mensagem crística. Na verdade, segundo o autor, o Cristianismo passou a ser apenas um sistema de poder estabelecido em torno de valores que vão em contra a verdadeira mensagem cristã.  

A igreja cristã original durou apenas 300 anos. Com a profunda crise que se estabeleceu no império romano, o imperador Constantino deu um golpe de mestre ao oficializar o cristianismo como religião oficial de Roma. Isto se deu no ano 313 da nossa era. Os cristãos, que eram perseguidos e viviam em catacumbas, foram convidados a participar do governo. Montou-se uma super estrutura burocrática para governar a nova igreja. E se proibiu todas as outras. 

Os rituais pagãos, tão comuns em Roma, foram proibidos formalmente e sua prática passou a ser crime. Junto com eles, proibiu-se também o ensino de toda a filosofia grega nas escolas neo-platônicas, que existiam às centenas e ensinavam o modo de viver estóico, baseado no ideal da simplicidade e pureza, o que popularizava a antiga cultura grega na sede do Império e nas províncias. Proibiu-se o uso do idioma grego e obrigou-se que a língua a ser usada dali pra frente fosse o Latim, então um dialeto da região do Lácio, nas cercanias da capital. 

Com a oficialização do cristianismo, Roma conseguiu sobreviver mais 150 anos, ruindo por completo no ano 488, após o assassinato do imperador por um chefe bárbaro, que fez acordo com o Rei de Constantinopla (o lado oriental do império romano) e ficou com o território italiano. 

Segundo Huberto Rohden, o império usou a estratégia de cooptar os líderes cristãos, usando para isso três ferramentas mortais:

  • Fornecimento de armas, com a justificativa de que os cristãos tinham que se defender diante de seus inimigos. Na verdade, estes recursos passaram a servir também como armas de ataque, para subjugar outros povos e outras religiões. Mil anos depois, os cristãos estavam a invadir o oriente médio, para tomar aos árabes os territórios e riquezas da Palestina. Para surpresa deles, as bibliotecas de Jerusalém estavam cheias de traduções de Platão e filósofos estóicos, algo já banido do meio ocidental e cristão. 
  • Dinheiro para os negócios. Assim como para comprar as consciências de quem ousava praticar algum cristianismo original. Os que não se vendiam, iam para a fogueira como bruxos e magos satânicos. 
  • Participação ativa na política oficial de Roma, suas disputas internas e interesses no parlamento, seus negócios externos e suas confabulações que serviam para tudo, até para enganar os antigos amigos.    





BASE DO CRISTICISMO

É a experiência vivida. Rohden considera que a simples crença, sem a base da experimentação real, não passa de um comportamento infantil. Somente a experiência vivida é adulta. Qualquer fé baseada unicamente na crença pode ser desfeita, mas, se o crente viver uma experiência mística transcendental, torna-se impossível sua anulação e não há volta. Esta experiência pode ser algo simples, como uma comunhão real com o Pai Celestial, numa paternidade única em linha vertical. Através da meditação e das orações, por exemplo. A base da experiência é a ética natural, onde os discursos belos e bem articulados perdem todo sentido, quando desprovidos da emoção do encontro transcendental, aquele que excede a capacidade de armazenamento emocional. Neste ponto, dá se a experiência mística, pela entrega da Criatura ao seu Criador. 

Se apenas um ser humano que seja, aceitar viver a Cristicidade verdadeira, a humanidade ainda terá esperança em salvação e dias melhores.  A vivência da Cristicidade sabe diferenciar entre "benevolência" e "beneficiência". A primeira se caracteriza pela caridade desinteressada, por exemplo, enquanto a segunda espera o melhor momento político para ser praticada, quando os holofotes estão ligados. Segundo, Rohden, a plenitude de um momento de amor verdadeiro de apenas uma pessoa, pode neutralizar a energia do ódio de muitos milhões. 


    

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

CRISTIANISMO versus CRISTICIDADE - Quando virá a Nova Era?



  • Mestre, quando virá o NOVO MUNDO ?  E quando poderemos entrar no Reino de Deus?
  • O novo mundo já começou e o Reino de Deus está dentro de vós. 


Este é um diálogo narrado no quinto evangelho sobre a vida de Jesus, encontrado no Egito e escrito pelo apóstolo Tomé, conforme nos informa HUBERTO ROHDEN, um teólogo de formação católica jesuítica, que se aprofundou tanto no estudo das escrituras, que não se limitou à Bíblia, como normalmente fazem os teólogos cristãos. Ao contrário, Huberto Rohden empreendeu-se pelo amplo mundo da religiosidade humana, incluindo outras fontes doutrinárias em sua área de interesse, como o hinduísmo e o budismo. Com o passar do tempo e suas experiências em vários países, foi se tornando espiritualista universal e abandonando aos poucos o catolicismo, mas preservou-se como basicamente cristão até o fim. Ainda assim, muitas autoridades eclesiásticas, inclusive figuras importantes que com ele partilharam notórias experiências teológicas, o consideraram ter-se tornado ateu. Muito ao contrário, suas fronteiras se expandiram ao ponto em que o simples cristianismo deixou de ser o ponto principal e a religiosidade humana assumiu este posto. Logo após a segunda guerra mundial, largou a função de sacerdote, ao ser aceito como bolsista da Universidade de Princeton, Nova Jersey (EUA), onde conviveu com Albert Eisntein. A partir daí, tornou-se teólogo universalista e se correspondia com grandes autoridades de filosofia e religião no mundo inteiro. Retornando ao Brasil, fixou-se na cidade de São Paulo, onde fundou o Movimento Alvorada, destinado a prestar assistência humanitária e espiritual ao público interessado. Fazia palestras regulares em instituições religiosas e filosóficas, além de reuniões abertas semanais na sede do Instituto Alvorada. Muitas destas palestras foram gravadas e hoje estão disponíveis, circulando pelas redes sociais. Deixou mais de 100 obras escritas. Em 1920, ao início da vida sacerdotal, foi nomeado Vigário Geral da Catedral de Florianópolis, mas, preferiu outra função, a de pregador errante pelas pequenas igrejas e vilas do interior da Ilha de Santa Catarina. Faleceu em 1981 em seu retiro espiritual nas cercanias de São Paulo. Está sepultado em sua terra natal, São Ludgero (SC).

QUANDO VIRÁ A NOVA ERA ?

A pergunta que o discípulo fez ao Mestre Jesus continua ressoando dois mil anos depois. Entra século, sai século, as pessoas insistem numa mudança automática para suas vidas. Querem saber quando haverá um evento milagroso que as transformem, como num passe de mágica. Como se fosse possível apertar um botão e ver surgir o momento aguardado da chegada de um novo tempo, maravilhoso e transformador, que abra as portas de um mundo diferente. Como se a mudança fosse uma questão astrológica ou simplesmente metafísica. Antes era a mudança do milênio. Agora, é a entrada da Era de Aquário. Pelo menos, a mudança do milênio era mais fácil acompanhar, por que tinha data marcada, mas não aconteceu nada...  Já a entrada da Era de Aquário não é tão simples determinar. Uns dizem que já chegou, outros dizem que estamos entrando nela neste exato momento e ainda outros afirmam ser coisa só pra daqui a muito tempo. Portanto, aguardar para mudar junto com a Era de Aquário é esperar sentado ...

A mudança é um processo pessoal e interior, que não se faz de fora para dentro. É sempre um laborioso sistema de abrir janelas para deixar penetrar a Luz. Se você gosta de laranjas, trate de plantar laranjeiras. Sem elas, não é possível a produção de laranjas. 

Atingir níveis superiores de espiritualidade e paz, significa entregar-se ao milagre da transformação divina, colocando-se à disposição da divindade para que esta opere os milagres necessários. Não será você que determinará o que deve ser feito, mas, o seu Eu Superior, o seu deus-potencial-semente o guiará pelos caminhos do crescimento espiritual, passo a passo, sem apressar nem atrasar a jornada. "Caminhante, não há caminho; o caminho se faz ao andar" é o verso famoso do poeta ibérico. Da mesma forma, os budistas aconselham a ir com calma, pois "quando o discípulo está pronto, o mestre aparece". Isto significa que o desenvolvimento espiritual envolve sempre algum mistério, alguma entrega. Há uma palavra em sânscrito, idioma sagrado dos hindus, que significa "entrega". Esta palavra é "sanias", por isso eles dizem que pelo menos por um tempo na vida uma pessoa devota deveria se tornar um "saniase", aquele que se entregou à sua missão de crescimento.  

Devagar, de passo em passo, o ser humano vai equilibrando os defeitos e incompletudes naturais de sua personalidade. Através da prática de orações e meditações, vai aprendendo a entrar no estado de Nirvana, a paz total. Porém, neste estado de Nirvana, o devoto esquece completamente da sua vida prática; e, conforme bem sabemos, não é possível manter-se eternamente em estado meditativo, é preciso cuidar da casa, descascar as batatas, pagar as contas, etc. Então, quando volta para o estado de balbúrdia, quando o lago não está mais contemplativo, calmo e parado, a alma do devoto entra em estado de Sansara, ou seja, confusão e stress. No estado de Sansara, foi-se embora o equilíbrio... A tarefa do ser humano é, pois, obter o justo equilíbrio entre Sansara e Nirvana. Sair de um para outro como se trocássemos de camisa, como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem percalços nem atribulações. 

Como disse o Mestre, o Novo Mundo sempre existiu e sempre esteve dentro de nós. Ocorre que nós simplesmente não aprendemos a identificá-lo. Só é possível fazê-lo com os olhos do Eu Superior. Não será com os olhos da personalidade egóica que vais consegui-lo !