segunda-feira, 27 de março de 2017

JANIS FOI MINHA PERDIÇÃO



Eu nada sabia da vida quando fui apresentado a Janis Joplin. Morava num quartel no Rio de Janeiro, e tinha notícia de que um sujeito negro que tocava uma guitarra inesperada havia morrido de overdose de heroína. Seu nome era Jimmy Hendrix. Joplin, sua parceira, era uma completa desconhecida, até por que a imprensa brasileira da época escondeu a notícia de que ela tinha estado no Rio de Janeiro. Mais ainda, tinha tomado banho de mar nua na Barra da Tijuca. 

Ela não era nenhuma deusa sensual. Mas, cantava com uma voz equivalente a todas as deusas negras da história do jazz e blues norte americano. Não tinha qualquer origem que orientasse nesse sentido, pois era do interior  do Texas. Uma garota problema, cheia de neuroses existenciais, mas corajosa. 

Foi namorada de ninguém menos que Leonard Cohen, que para ela fez esta canção: 


Sua versão de Summertime botou Billie Holliday no chinelo. 


Mas, para mim, sua canção hippie foi o que mais me encantou. 


GISMONTI, do Carmo para o mundo.





Na parte noroeste do estado do Rio de Janeiro, em meio à Serra do Mar, a poucos quilômetros da fronteira com Minas Gerais, está a cidade do Carmo. Ali nasceu e cresceu um dos maiores músicos e compositor brasileiro de todos os tempos: EGBERTO GISMONTI.  Mais famoso e reconhecido no exterior do que aqui, trouxe da vida pacata em meio à serra todo o conhecimento ancestral da pequena aldeia. 

Não ficou milionário, nem se tornou ícone da juventude. Nunca esteve na mídia popular, evidentemente. Mas também nunca reclamou. Sempre achou que seu lugar era entre os grandes e inspirados musicistas do mundo.  E assim o fez!


  A canção Palhaço (1979) talvez tenha sido o maior  sucesso de Gismonti.  
Correu o mundo !   Ele a tocou com centenas de músicos consagrados.





terça-feira, 21 de março de 2017

SACHMO, o fundador do Jazz



Louis Armstrong (1901-1971)
está entre os principais fundadores do Jazz


("Todas as vezes que eu fecho os meus olhos tocando aquele meu trompete, eu olho no coração da boa e velha Nova Orleans... Ela deu-me algo que é minha razão de viver.")


Louis Armstrong, apelido Sachmo, nasceu em New Orleans (EUA) na virada para o século XX. Consta em sua biografia não autorizada que ele viveu num prostíbulo junto com a mãe, quando esta foi abandonada pelo marido, o pai do pequeno Louis. Ao longo de sua carreira, ele deu sinais de que nunca conseguiu superar este trauma. Apesar de ser considerado o maior trompetista de todos os tempos, além de ser um cantor de recursos extraordinários, ele só entrava no palco se estivesse drogado. De cara limpa, era incapaz de enfrentar o público. 

Seu último grande sucesso foi em 1969, com uma canção da trilha sonora de um filme da série James Bond. O diretor do filme o trouxe para cantar o tema principal, mesmo sabendo que ele se encontrava muito doente, praticamente sem condições de tocar como nos velhos tempos. Mesmo assim, Sachmo faz um pequeno solo arrebatador, tão suave que chega a ser triste. Em sua interpretação vocal, percebe-se o sotaque forte caipira, típico dos negros do sul dos Estados Unidos. 



Teve papel importante no show business norte americano, onde atuou ao lado dos maiores astros da América. Pessoas como Frank Sinatra, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, e alguns dos maiores band leaders do jazz, não seriam os mesmos se Sachmo  não tivesse existido.




Em 1958, ele lançou um álbum básico, 'Louis and The Good Book', onde só tinha "spirituals".


segunda-feira, 20 de março de 2017

SIGNIFICADO DO SACRAMENTO NO CRISTIANISMO


Santiago de Compostela é um santuário essencialmente jovem. 


Finalizando nossa série de estudos sobre os mitos sagrados do Cristianismo, vamos examinar aspectos relacionados ao Sacramento.


PRIMEIRO COMPONENTE: O VINHO NOVO
Jesus começou seu sacerdócio crístico na Terra aos trinta anos de idade. Ele encontrava-se com a família e alguns discípulos numa festa de casamento em Canaã, quando sua mãe Maria veio lhe avisar que havia acabado o vinho para servir  aos convidados. Jesus, então, manda que lhe tragam vasilhas de água e as transforma em vinho de alta qualidade. Como antes estavam servindo um vinho inferior,  alguns frequentadores se espantaram e foram questionar o dono da casa: “É costume primeiro servir o vinho bom. Só depois, quando a maioria dos convivas já estão amortecidos pela bebida, é que se coloca o vinho de pior qualidade. Mas, tu serviste primeiro o vinho ruim; e guardaste o  melhor vinho para o final”.  Aqui, o significado do “vinho bom” no Sacramento tem a ver com a missão de Jesus na transformação da humanidade. Ele veio trazer a “boa nova”, ou seja, o vinho bom, enquanto o que existia antes era o Velho Testamento Judeu, as antigas Leis, por aquela época ainda acrescidas das exigências típicas do  Império Romano para suas colônias. Tudo isso representava o vinho velho, ou seja, o vinho ruim carregado dos vícios e defeitos dos antigos paradigmas entre os povos das 12 tribos de Israel  e o Império Romano. O cenário exigia obediência total.  Neste ambiente, o que se pretendia do Ser era a qualidade de ALUNO.

Aquilo foi substituído pelo novo paradigma do cristianismo, que deveria resgatar o Plano Divino sobre a Terra, afim de salvar a humanidade. Aqui, neste contexto, o comprometimento ético passa a ser sobre valores que se pretendem “permanentes”, e não mais submetidos apenas ao nível do intelecto, mas também ao nível Moral. O que se espera aqui é uma dedicação não como “aluno”, mas como “discípulo”, aquele que age a partir de sua devoção, investigação, pensamento e CAPACIDADE DE SERVIR.





SEGUNDO COMPONENTE: O PÃO
Já ao final de sua passagem terrena, Jesus reúne seus apóstolos pela última vez; e agora acrescenta o PÃO ao sacramento que distribui a seus convidados para a Última Ceia. Se o VINHO da primeira experiência serviu para apontar o caminho da redenção, com a passagem pela água, agora o PÃO tem o significado de deixar com os Homens a sua herança crística. Ao contrário do que as igrejas cristãs normalmente pregam, o Sacramento constituído pelo Pão e Vinho não  diz respeito ao sacrifício de Jesus na cruz, nem é lembrança (ou cobrança) de que seu sangue serviu para lavar os pecados da Humanidade. O que Jesus distribui no Sacramento é seu legado, não simplesmente seu corpo e sangue, mas a esperança de ascensão para níveis mais aperfeiçoados no modo de existir. O legado crístico distribuído no Sacramento,  não é outro senão o significado de transformação cósmica do Ser Humano, que, assim como Jesus o fez em sua missão, tem a potencialidade de realizar progressos espirituais mesmo enquanto ser encarnado. Ou seja, o Ser Humano Crístico tem a possibilidade de fazer a ascensão para níveis  superiores de consciência, partindo de uma base física sólida e saudável, evoluindo para a conquista da paz emocional, depois adquire a capacidade de raciocínio lógico a serviço de seu auto aperfeiçoamento, até que desenvolve em si as potencialidades da Intuição, que é a porta de entrada para os níveis superiores da tríade espiritual.



No inspirado mural do artista italiano Leonardo da Vinci, “A Última Ceia”, o primeiro aspecto que se observa na obra é o agrupamento dos apóstolos em quatro grupos de três. Uma primeira interpretação evidente é que o significado da vida está vinculado aos aspectos eternos e perenes: as quatro estações (primavera, verão, outono, inverno) e os quatro elementos naturais (água, ar, fogo e terra). Em seguida se observa que os apóstolos estão agrupados seis à direita e seis à esquerda de Jesus. Este aspecto leva a uma concepção zodiacal da obra, com os signos representados pela aparência e postura dos personagens, assim como pela concepção de que os signos dos que estão à direita, são o lado contrário dos que estão à esquerda de Jesus. Obter o equilíbrio entre os dois lados é a missão do aprendizado nesta passagem terrena.  Da direita (lado visual e claro) para a esquerda (lado escuro e inconsciente), observamos que os doze signos zodiacais estão ali representados e, neste sentido, aqueles doze apóstolos representam a Humanidade inteira. Portanto, quando Jesus a eles distribui a si próprio, na forma de vinho e pão, está se distribuindo para todos os homens, independentemente de terem ou não aceito submeter-se ao cristianismo. 




Sobre isto, é interessante notar a nova prática da igreja Católica em distribuir o sacramento de forma energética e coletiva, principalmente em cerimônias de grande presença do público. Ali, não se pergunta se a pessoa fez sua confissão com um padre, nem se foi batizado e crismado na Igreja.   São indicadores na Nova Era, assim como a presença deste Papa Francisco à frente do Vaticano também o é, certamente.




quinta-feira, 16 de março de 2017

CARTA DE APRESENTAÇÃO, o relógio das memórias.



Maringá foi uma cidade planejada,
projetada pela mesma companhia inglesa que fundou Londrina em 1935.
Iniciada a II Guerra Mundial, os ingleses se retiraram e passaram o projeto
para uma companhia colonizadora, ligada aos donos do Banco Itaú,
que souberam integrar a cidade com a Mata Atlântica.
Hoje, o que resta da mata encontra apenas dentro da cidade.
A região se transformou num imenso sojal, canavial e pasto.  




Eis o meu "relógio das memórias".  Trata-se de um exercício de criação literária, onde cada hora do ciclo de 1 a 12 corresponde a um evento marcante na vida da pessoa. 


HORA 1 - Em 1951, quando nasci em janeiro, o norte do Paraná era um grande mar verde. O mar a que me refiro não era propriamente feito de água salgada, mas das folhas de milhões de pés de café. Por isso, costumo brincar que quase nasci debaixo de um pé de café. Parece que o nome Maringá foi dado pelos caboclos nordestinos, saudosos de sua terra e trazidos a trabalhar na derrubada da mata, para implantação das lavouras de café. 

HORA 2 - Em 1958, iniciei minha vida escolar, quando Maringá ainda era uma pequena cidade, fundada que foi oficialmente apenas 11 anos antes. Era então chamada de "cidade menina" e seu hino ainda mandava "admirar a floresta". Minha mãe dizia "Eles são adventistas, mas você é católico. Nunca reze nada do que eles rezam". Quando me matriculou naquela escola adventista, minha mãe foi muito clara quanto às diferenças entre eu e meus coleguinhas daquela escola masculina. Nunca lhe perguntei as razões daquela restrição, mas, não é difícil imaginar as penúrias por que passei. A professora tinha que me dispensar quinze minutos antes do fim da aula, para dar tempo de eu ganhar boa distância da “piazada” que vinha atrás, para me pegar. Hoje,  eles chamam isso de alucinação, sonorização, ventriculação, assédio moral, pôxa,  parece que esqueci o nome. Não deve ser importante!  O bom é que estávamos entre cristãos;  e a diretora da escola achou que tinha que tomar uma providência. E tomou. Foi à minha casa e disse explicitamente para minha mãe que procurasse outra escola para seu filho... 

HORA 3 - Em 1964, numa viagem de trem para a casa dos meus avós, encontrei a coisa mais linda que já tinha visto na face da Terra. A aparição angelical vinha guiada pelas mãos de um adulto, provavelmente seu pai ou tio. Nunca soube, por que nunca falei com a doce garota vestida de mini saia num estampado xadrez. Só me lembro que ela ficou hospedada numa família que morava ao lado da casa de minha tia, onde eu passava o maior tempo possível naquela estadia com os meus avós, a olhar para a vizinha. Nunca tive coragem de lhe falar. Alguns dias depois, ela se foi para sempre, sem me dizer nem "tchau, quem sabe a gente se encontra lá em Maringá?" Haaa, quanto eu sonhei encontrá-la depois...  MAS, ISTO NUNCA ACONTECEU. 

HORA 4 - Em 1965, um ano depois do primeiro desencontro afetivo, comecei a trabalhar. Em casa, instalou-se uma pequena confusão. Meu pai considerava que, já estando alfabetizado, eu já tinha educação suficiente. Pelo menos aquela necessária para ajudá-lo nas tarefas de comprar e vender sacos de café, feijão, arroz e todo tipo de coisas que ele comprava nas fazendas e as levava de caminhão até Maringá, para vender aos processadores de grãos. Mas, minha mãe tinha outros planos e dizia alto e bom som "o menino vai ser gerente de banco". Atualmente, pode não ser grande coisa, mas, em 1965 era o sonho pequeno burguês de toda família pobre:  encaminhar seu filho para um concurso bem sucedido no Banco do Brasil. Não preciso dizer que ela ganhou a parada, ao encomendar a seu irmão, meu tio, que tinha boas relações comerciais na cidade, que me arranjasse um emprego de office-boy. Para minha sorte, meu primeiro emprego foi no escritório de contabilidade de um "italiano" de Concordia-SC, que também era meu professor de música no ginásio. Em alguns finais de tarde, ele recebia a visita do compositor do hino de Maringá, um italiano legítimo de Florença, e outro italiano de Veneza, este contador da Rede Paranaense de Rádio, que depois veio a ser o meu segundo emprego. Os três eram ótimos cantores. Eles ficavam tomando whiskie e cantando, enquanto eu me demorava o máximo na faxina do final do expediente. Talvez por isso, tenha permanecido em mim tanto gosto pessoal pelas duas atividades artísticas. 


HORA 5 - Em 1969, eu já estava no terceiro emprego, trabalhando como auxiliar administrativo numa agência-gravadora de jingles, onde também aprendia as técnicas de propaganda. Foi ali que coloquei na cachola que iria ser escritor, ao observar a vida boa do único redator da agência. Imaginei uma estratégia perfeita para tornar-me escritor: engajar no exército. Mandei-me para a casa de uma tia em Curitiba, para fugir ao Tiro de Guerra de Maringá, muito pequeno para meus sonhos de grandiosidade. Em Curitiba, usei como arma minhas habilidades de redator e datilógrafo, oferecendo-me voluntariamente para auxiliar a equipe que fazia a distribuição dos recrutas da região, instalados no 20º RI, no Bacacheri. Uns ficavam por ali mesmo, outros mais fortes ou habilidosos eram destinados à Brasília ou ao Rio de Janeiro. Fui deixando minha própria classificação para o final. Até que o capitão me chamou e disse: "Muito bem, agora vamos tratar deste rapazinho. Vai querer voltar para casa, certo?".  Eu respondi sem titubear: "Quero ir para o Rio de Janeiro".  Ele me alertou que eu ainda iria muito me arrepender, que ser Policial do Exército numa cidade como o Rio de Janeiro, àquela altura da situação política do país, não era um bom negócio, mas, diante da minha firmeza, assinou minha seleção para recruta do 1º Batalhão de Polícia do Exército, localizado na Tijuca, famoso por coisas tão boas quanto terríveis. Ali, vi meu sonho se desmoronar, pois os oficiais me reprovaram logo na primeira etapa do curso de Cabo. Motivo alegado: rebeldia nas aulas e fardas insuficientemente engomadas.

HORA 6 - Em 1973, passei num concurso para aprendiz de programador de computador. Estávamos em quatro selecionados, para os quais a companhia de eletricidade do Paraná pagaria todas as despesas de treinamento e formação junto à empresa IBM. Nesta época, o processamento de dados ainda era restrito às corporações, mas para ser um profissional da área, era importante não temer as mudanças de plataformas tecnológicas. 

HORA 7 - Em 1977, nasceu meu primeiro filho, Rodrigo, em homenagem ao libertário capitão famoso das histórias de Veríssimo. Quisera ter colocado o nome de Pablo, em homenagem à música de Milton Nascimento, mas não houve acordo em casa. Rodrigo veio ao mundo pelas mãos  do doutor Paciornick, pelo método indígena dos guaranis, ou seja, foi um parto de cócoras, comigo ao lado. Coisas da juventude. A segunda já foi em maternidade normal, mesmo!
           
HORA 8 -  Em 1980, aos 29 anos de idade, mudei-me para Floripa, atendendo a uma oferta de emprego pelo dobro do salário. Não pretendia ficar aqui mais do que cinco anos. Quando tivesse 35 anos de idade, eu iria então realmente ganhar dinheiro em São Paulo. Parece que não era este meu destino!

HORA 9 -  Em 1982, quase perdi a vida num acidente automobilístico. Parado na sinaleira da avenida do Hospital Universitário com Beira Mar, eu simplesmente engatei a primeira e entrei para atravessar. Um carro em alta velocidade vinha em direção à Universidade. Só me salvei, por que me virei para o lado afim de proteger minha companheira. Acordei seis horas depois, no Hospital. Fiquei seis meses engessado do pescoço ao umbigo.

HORA 10 -  Em 1989, votei pela primeira vez para presidente do Brasil. Meu candidato era o Brizola, mas votei no Lula, com o seguinte e confuso argumento. “Brizola vai passar para o segundo turno de qualquer jeito, então é melhor que ele busque apoio do PT do que de outros partidos mais à direita.” Por 200 mil votos a mais, inclusive o meu, o “sapo barbudo” foi escalado para perder para Collor. Na minha opinião, Brizola teria fatiado Collor de Mello em mil pedacinhos. A história não quis assim.

HORA 11 -  Em 2011, aos 60 anos, penso que fiz um ensaio para chegar à maturidade. Estou aguardando os resultados.
            
HORA 12, HOJE, 16/03/2017, eu procuro olhar o futuro com otimismo. Ainda que o mundo vá muito mal; e que nosso país esteja em queda livre para o abismo moral e econômico. Parafraseando Cecília Meirelles, “escrevo, por que o encanto existe”. 








sábado, 4 de março de 2017

TRANSFORMAR ÁGUA EM VINHO

“Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já o têm bebido,
serve-se o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.” João 2:10

Ali em Canaã, aos trinta anos de idade, Jesus fazia sua iniciação como Avatar da Era de Peixes, pré destinado a transformar os valores éticos e religiosos para os milênios que se seguiriam. 

Este foi o primeiro "milagre" de Jesus, o que para o cristianismo convencional tratou-se de um ato deliberado do Mestre, ao atender o pedido de sua mãe Maria, amiga dos donos da casa onde se celebrava um casamento na cidade de Canaã. Tendo acabado o vinho para servir aos convidados, Maria relata o fato a Jesus, o qual manda que lhe tragam baldes de água, por ele milagrosamente transformados em vinho da melhor qualidade. Para um pastor evangélico,  que li aqui mesmo na Web, o ato de Jesus executar este milagre logo no início de seu sacerdócio, tinha o objetivo de fazer com que o povo nele acreditasse. Teria sido, portanto, um espetáculo para angariar crentes. Já outro escritor religioso aponta o argumento de que, se Jesus consegue fazer coisas assim, imagine o que ele é capaz de fazer pela nossa "salvação", colocando propositalmente nas mãos de Jesus a responsabilidade pelo nosso futuro espiritual, algo tão comum no "cristianismo" instantâneo. Tem até quem defenda que o bom teria sido o milagre contrário, transformar vinho em água, afim de livrar aquela gente dos efeitos perversos do alcoolismo. Assim como há quem use o mesmo argumento para especular que a transformação poderia ter sido de água em suco de uva. Enfim, há explicações e teses para todos os gostos. 

No meu modo de ler a Bíblia, as coisas que aconteceram é o que menos importa. Os símbolos contidos nos "milagres" são variados, mas o principal deles sem dúvida é o da mudança de paradigmas. Assumidamente simbólico por todas as facções cristãs,  o vinho velho (que acabou) significa o "velho testamento", ou a lei antiga das tribos de Israel, agora convertidos em súditos de César, o imperador romano e seus decretos obrigatórios. É a lei do "olho por olho, dente por dente".  O vinho novo, transmutado por Jesus, é o "novo testamento", os valores e princípios do cristianismo, que deveriam liderar a nova era que se implementava aos poucos, a Era de Peixes. Este novo regulamento se baseava na lei do amor, principalmente em não fazer a ninguém aquilo que não se quisesse para si próprio. Era o valor ético mais avançado no mundo judaico-romano, o exercício de se colocar no lugar do outro antes de tomar uma decisão. Parece claro que esta proposta foi derrotada em nossa civilização... 

O vinho é a bebida mais antiga da humanidade e não tem nada a ver com o alcoolismo. Faz parte de um ritual sagrado. Jesus o usou para iniciar seu sacerdócio nas bodas de Canaã, assim como para encerrá-lo, na Santa Ceia, quando distribuiu a bebida entre seus discípulos, consolidando o culto do sacramento, até hoje existente em todas as igrejas cristãs.



JESUS, O AVATAR DA ERA DE PEIXES

Os atos de Jesus Cristo, entre o episódio da transformação de água em vinho, até a Santa Ceia final, não levaram mais do que três anos. Foi neste período que Jesus desempenhou o papel de Messias, o esperado salvador dos Judeus, mas que, na verdade veio como salvador de toda a humanidade. Não por que quisesse, mas por que esta era sua missão  divina, encomendada pelo Deus Absoluto, o Pai da santíssima trindade, que o mandou para a encarnação terrena como o Avatar de uma nova era, a de Peixes. Neste papel, o cristianismo correu o mundo inteiro nos últimos dois mil anos.   Jesus teria se decepcionado com sua missão, ao constatar na cruz que ele morreria e a humanidade continuaria no pecado, assim como pronunciado na frase bíblica "Pai, por que me abandonastes?" Esta visão de Jesus, ao ver as cenas do futuro do cristianismo, evidencia seu lado humano, tal qual foi constatado em todo o histórico de sua missão divina, enquanto incorporado em um corpo físico.  Mas, o cristianismo continua vivo em sua missão de "SALVAR" o ser humano. Alguns exageram, é verdade, e transformam esta missão em algo próximo do fanatismo. 

A TRANSFORMAÇÃO DE JESUS HUMANO NO CRISTO

A missão de salvar o ser humano é muito problemática. Mas, todos concordam que se trata de uma tentativa de melhoria nos aspectos físico, emocional, mental e espiritual. Jesus, o Cristo, fez esta passagem em si próprio num único ato, ao iniciar seu sacerdócio aos trinta anos de idade nas Bodas de Canaã. 
Conforme diz a Bíblia, "No princípio era o verbo e o verbo estava com deus; e o verbo era deus...". Só que, na verdade, a versão original em grego, encontrada em Éfeso neste século, inicia com outra palavra "No princípio era o Eu Superior ...", quer dizer, Jesus Cristo era tão perfeito em sua encarnação da Divindade, que ele já iniciou o seu sacerdócio humano com o Eu Superior completamente manifestado. Ele já tinha acesso automático ao Logos, o mundo da sexta dimensão, o mundo espiritual, algo que nós, seres humanos comuns ainda levaremos incontáveis encarnações para atingirmos. o "MILAGRE" da transformação nada mais foi do que a manifestação de seu "eu superior" divino, e a verdadeira boda foi entre o Jesus encarnado e o mestre da nova era cristã. Convenhamos, era muita responsabilidade !

O CAMINHO CRÍSTICO DE CADA UM

Transformar Água em Vinho está disponível para todos que queiram caminhar na senda dos Mestres espirituais, como foi Jesus.  Ao contrário do que as igrejas costumam pregar, esta atividade é exclusivamente interna de cada um.  Não depende do pagamento de dízimos, da fidelidade religiosa a um personagem, nem de nada de coisa nenhuma derivada do mundo material.
A evolução pessoal se dá a partir dos atributos de cada pessoa. Todos teríamos a tendência de nos mantermos presos em alguns aspectos de nossa personalidade. Mas, também temos a capacidade de evoluir e partirmos para um nível superior, mesmo que seja de forma intuitiva. Aqui, fazemos uma relação entre a influência dos chakras (centros de energia) e os seres humanos.

A EVOLUÇÃO SEGUNDO O CAMINHO DOS CHAKRAS

São sete os CHAKRAS principais, centros por onde circula nossa energia prânica, essencial para a manutenção da vida. As  características de cada um são observadas na evolução dos seres humanos. Dizem que Jesus, ao unificar seu corpo físico com a missão celestial a ele destinada, evoluiu direto para a quinta dimensão, a búdica, onde somente os seres ascencionados têm acesso. Não é o caso de seres comuns como nós, que precisamos galgar passo a passo o longo caminho da evolução.





PRIMEIRO CHAKRA: BÁSICO 
A pessoa que se encontra parada no primeiro chakra, localizado logo acima do órgão sexual, está preocupada unicamente com sua sobrevivência, que inclui a própria segurança e as necessidades físicas básicas, tais como comer, beber e dormir. Trata-se da sobrevivência pura e simples, como alguém preso num campo de concentração.

SEGUNDO CHAKRA: SEXUAL
Localizado na altura do umbigo, tem a função principal de atiçar os desejos, principalmente os de natureza sexual. Sua energia é um pouco mais sutil que a do primeiro chakra, mas ainda é muito pesada. Equivale ao mundo das paixões. A pessoa que se encontra presa neste nível, vive basicamente no corpo emocional e não consegue usar o pensamento racional. Algo como 80% dos seres humanos jamais passam deste nível. 

TERCEIRO CHAKRA: PLEXO SOLAR
Na altura do estômago, além da alimentação física, se nutre de informação. A pessoa fixa neste ponto, está principalmente estudando as coisas do mundo da vida e da pós morte. Não significa que esteja vivenciando aquilo que estuda. Já é muito mais elevada na consciência, mas ainda está presa no mundo das ideias, ou seja, no  corpo mental.

QUARTO CHAKRA: CARDÍACO
O quarto chakra é o da devoção. Alia a capacidade de amar com a capacidade de pensar, a quarta e a quinta dimensão, mas ainda no campo da Personalidade. Na tradição cristã, este chakra desenvolve o potencial para o amor altruísta, a caridade, que faz o bem sem olhar a quem;  e não está interessada em qualquer retorno pessoal.  O ser humano que chegou neste nível superou as necessidades do Ego. 

QUINTO CHAKRA: GARGANTA DAS TENTAÇÕES
O canal estreito para se atingir o nível da consciência superior. Localizado na garganta, o quinto chakra liga o amor com a consciência superior da sabedoria. Aqui se trava a grande batalha entre a obrigação e os desejos. A pessoa estacionada neste nível se desgasta permanentemente para afirmar sua evolução espiritual sobre as tentações físicas e egóicas. 

SEXTO CHAKRA:  INTUIÇÃO
Localizado entre as sobrancelhas, é chamado de "o terceiro olho". É basicamente associado ao mundo espiritual. As raras pessoas que conseguem chegar neste nível são dotadas de uma sabedoria inexplicável. 

SÉTIMO CHAKRA: CORONARIANO
Assim como a energia prânica entra pelo terceiro chakra, se diz que a Luz Divina penetra em nosso Ser pelo sétimo chacra. Mais nada nos é dado saber a respeito desse assunto. Mistério sagrado... 
   

Milton Nascimento era um completo desconhecido em 1970.
Seu sucesso com "Travessia", em 1967, no festival internacional de música do Rio de Janeiro,
 havia sido esquecido em função do esquentamento da questão política no Brasil, decorrente do radicalismo da ditadura militar. Outros compositores entraram em alta, mais politizados e menos românticos. Era a vez dos Geraldos Vandrés e dos Chicos Buarques. Milton se mostrou reservado e desenvolveu sua música mineiramente, misturando jazz, blues, músicas caipiras e bossa nova.