sábado, 1 de abril de 2017

Juventude e Encanto



Jana, tão bonita quanto o pai. 



Minha vida acadêmica na universidade foi um fracasso. Eu era detestado pelos colegas conservadores, que não eram poucos no curso de Direito da UFPR, em Curitiba. Eles eram parte do departamento de Ciências Sociais Aplicadas, seja lá o que isso queria dizer numa estrutura que envolvia assuntos de direito, economia, contabilidade e administração. Havia um centro acadêmico oficial, permitido pela reitoria conservadora, nomeada pelo regime militar em 1976. Eu era o diretor cultural. Cada palestra era um terror, com dezenas de agentes do sistema militar presentes, fotografando todo mundo. Mas, nós não tínhamos medo, embora eu morresse de medo, por que era mais velho e tinha passado pelo DOI-CODI do Rio de Janeiro.   

Darci Ribeiro chegou de manhã. Eu o levei para almoçar com a estudandata no restaurante do centro acadêmico. Nós o tratávamos com cuidado, tendo em vista seu anunciado câncer de pulmão (que o acabou matando muitos anos depois), que foi usado como motivo para voltar ao país alguns anos antes dos outros exilados.

--- Quer tomar uma água, professor ? 
--- Não, quero tomar uma caipirinha. 

Ali começou um estranhamento admirável. Eu pensei com os meus botões: "este é dos meus".  

Depois da palestra, estávamos todos no Bar Palácio, palco da boemia da esquerda intelectual de Curitiba. Darci se retirou por um tempo, anunciando que iria passar algumas obras literárias à moça mais gostosa da mesa. Duas horas depois voltaram, ambos de cabelos molhados. Inveja!





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